Preço do boi gordo sobe R$2 por arroba no início de junho

Scot consultoria registra alta de R$3 para o boi china; valores da vaca e novilha permanecem estáveis

Andressa Simão, da CNN Brasil, São Paulo
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O mercado do boi gordo iniciou junho em alta, sustentado pela oferta restrita de animais terminados, pela melhora do consumo doméstico e pelo bom desempenho das exportações brasileiras de carne bovina.

Segundo a Scot Consultoria, as cotações abriram esta quarta-feira (3) com avanço de R$ 2,00 por arroba para o boi gordo e de R$ 3,00 por arroba para o chamado “boi China”. Já os preços da vaca e da novilha permaneceram estáveis após os reajustes registrados no dia anterior.

Em São Paulo, o boi gordo está cotado em R$ 349,00 por arroba, enquanto a vaca vale R$ 320,00 por arroba e a novilha R$ 332,00 por arroba. O boi destinado ao mercado chinês é negociado a R$ 355,00 por arroba, com ágio de R$ 6,00. As escalas de abate atendem, em média, oito dias.

De acordo com a consultoria, o movimento reflete uma demanda mais aquecida da indústria frigorífica. Após a redução das escalas de abate observada no fim de maio, os frigoríficos passaram a buscar com maior intensidade a oferta disponível para alongar suas programações e atender ao aumento da demanda por carne bovina.

A expectativa é de fortalecimento do consumo nas próximas semanas, impulsionado pela entrada dos salários na economia e pelas festividades de junho. Ao mesmo tempo, as exportações seguem contribuindo para o escoamento da produção nacional.

Do lado da oferta, os pecuaristas continuam adotando uma postura cautelosa nas negociações, liberando os lotes gradualmente e buscando melhores preços. Essa estratégia tem limitado a disponibilidade de animais prontos para abate e ajudado a sustentar as cotações.

Para Douglas Coelho, da Radar Investimentos, os sinais de aperto na oferta começaram a aparecer ainda na semana passada e se confirmaram nesta semana. Segundo ele, as escalas ficaram menores justamente em um período de menor tempo útil para compras por parte da indústria devido ao feriado.

"O frigorífico precisou elevar os preços de balcão para garantir matéria-prima. Altas entre R$ 5 e R$ 7 por arroba têm sido comuns em diversas praças do Centro-Sul", afirmou.

O analista destaca que em São Paulo já são observadas negociações na faixa de R$ 355,00 por arroba, com negócios pontuais alcançando R$ 360,00 à vista. No atacado, a carne bovina também apresenta mercado enxuto, com referência próxima de R$ 24,00 por quilo.

A leitura também é reforçada por Daniel Lopes, assessor de investimentos, que aponta um cenário de firmeza para o boi gordo paulista. Segundo ele, a arroba no peso morto variou entre R$ 340 e R$ 365 em junho, com média de R$ 350,87, enquanto no peso vivo os valores oscilaram entre R$ 345 e R$ 368, com média de R$ 357,24.

O especialista ressalta que a sustentação dos preços está diretamente ligada às escalas de abate historicamente curtas. Entre janeiro e maio, a média foi de apenas 6,3 dias úteis, o menor nível desde 2021. Em fevereiro, o indicador atingiu 4,9 dias, o menor patamar da série histórica.

"Pouco boi pronto significa pecuarista no comando da negociação", resume.

Mercado externo 

No mercado externo, a demanda chinesa continua sendo um dos principais fatores de suporte. As exportações brasileiras para a China seguem em ritmo forte e caminham para atingir rapidamente a cota disponível, com a janela de embarques se encerrando em julho.

Além dos fundamentos de mercado, notícias recentes também reforçaram o sentimento positivo para a pecuária brasileira. Segundo o analista de mercado, Rodrigo Costa, a semana foi marcada pelo reconhecimento de todo o território brasileiro como livre de febre aftosa pela China e pela decisão dos Estados Unidos de manter a carne bovina fora das tarifas anunciadas para determinados produtos importados.

De acordo com o analista, a exclusão da carne brasileira das medidas tarifárias reflete a importância estratégica do produto para o mercado norte-americano, que enfrenta oferta restrita de proteína bovina e utiliza a carne importada do Brasil principalmente na fabricação de hambúrgueres.

Com oferta limitada, consumo doméstico em recuperação e demanda internacional aquecida, o mercado do boi gordo inicia junho com viés positivo e preços sustentados, mantendo o pecuarista em posição favorável nas negociações.