Preço do trigo sobe mais de 1% em Chicago com risco no Mar Negro
Mercado incorpora prêmio de risco para o cereal diante das dificuldades de exportação de Rússia e Ucrânia e de uma demanda mais firme

A cotação futuro do trigo foi o principal destaque entre as commodities agrícolas nesta segunda-feira (5), com o contrato para entrega em dezembro avançando 1,32% na Bolsa de Chicago e encerrando a sessão cotado a US$ 6,92 por bushel.
Segundo a Royal Rural, a alta superior a 1% reflete a combinação entre oferta mais restrita e uma demanda internacional mais firme. O mercado voltou a incorporar um prêmio de risco diante das dificuldades de exportação pelo Mar Negro, região importante para o abastecimento global de trigo.
De acordo com a Granar, a Rússia e Ucrânia seguem com limitações nos embarques, enquanto os ataques contra estruturas de infraestrutura mantêm as incertezas sobre o fluxo de exportações. O cenário aumenta a preocupação dos agentes com a disponibilidade do cereal no mercado internacional.
A demanda também contribuiu para sustentar os preços já que a Arábia Saudita comprou mais de 500 mil toneladas de trigo, reforçando a procura pelo cereal em um momento de maior cautela em relação à oferta.
Milho
O milho encerrou a sessão praticamente estável na Bolsa de Chicago, após registrar fortes perdas na semana passada. O contrato para entrega em dezembro recuou 0,10% e fechou cotado a US$ 4,97 por bushel.
Segundo a Granar, o mercado ainda absorve os efeitos da divulgação de estoques nos Estados Unidos acima das expectativas, que contribuíram para uma queda superior a 5,50% na semana passada.
A pressão sobre as cotações também vem do avanço da colheita norte-americana. A produção deve superar 400 milhões de toneladas pelo segundo ano consecutivo, ampliando a oferta disponível no mercado.
Além dos estoques elevados, as condições climáticas também favorecem a pressão sobre os preços. A previsão de tempo seco ao longo desta semana deve contribuir para o avanço dos trabalhos de campo no Centro-Oeste dos Estados Unidos, acelerando a colheita do milho.
Soja
Depois de três sessões consecutivas de perdas, a soja encontrou espaço para uma recuperação moderada na Bolsa de Chicago. O contrato para entrega em novembro subiu 0,20% e encerrou a sessão cotado a US$ 12,80 por bushel.
Segundo a Granar, a alta foi sustentada pela proteção cambial dos investidores, pela recuperação dos preços do petróleo e pelos efeitos das eleições presidenciais brasileiras sobre a relação entre o real e o dólar.
"A valorização do real frente à moeda norte-americana reduz a competitividade das exportações brasileiras e também diminui o incentivo à comercialização da soja pelos produtores, que passam a receber menos reais pela mesma quantidade do grão vendido no mercado internacional", informou a Granar.
Apesar da recuperação, A Royal Rural destacou que o avanço da colheita nos Estados Unidos continua limitando uma alta mais expressiva. A previsão de tempo seco ao longo da semana deve favorecer os trabalhos de campo no cinturão de soja e milho, aumentando a entrada de produto novo no mercado.
A Royal Rural também destacou que a perspectiva de clima mais seco nos Estados Unidos deve favorecer a colheita e ampliar a oferta, mantendo um limite para a valorização das duas commodities.
A expectativa agora se concentra nos próximos dados de produção e de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) previstos para sexta-feira (09). Antes da divulgação, as estimativas privadas apontavam para uma colheita de soja em cerca de 29% da área, acima dos 17% registrados no levantamento oficial anterior.


