Preços de energia elevam custos de produção e inflação de alimentos

Cenário externo incerto, com volatilidade, pode favorecer a receita do país como exportador, com o agro sendo crucial para o equilíbrio das contas externas, avalia o Rabobank

Gabriella Weiss, da CNN Brasil, São Paulo
Compartilhar matéria

A escalada das tensões no Oriente Médio deve elevar a volatilidade e pressionar os custos do agronegócio brasileiro, principalmente por meio da alta de energia, segundo relatório do Rabobank. Ao mesmo tempo, o setor segue sustentado por demanda interna resiliente e pelo desempenho das exportações, em um ambiente ainda incerto.

O principal vetor de impacto para o agro está na energia, com efeitos que se espalham ao longo da cadeia produtiva. Como destaca o banco, “o aumento dos preços de energia pode impactar diretamente os custos de produção e transporte”, com reflexos nos preços finais dos alimentos.

Essa pressão já começa a aparecer na inflação. O IPCA-15 de março avançou 0,44%, acima das expectativas, com contribuição relevante dos alimentos in natura. Para o Rabobank, o movimento reflete, em parte, o repasse de custos em um ambiente de maior pressão global sobre energia e commodities.

Ao mesmo tempo, o cenário externo pode favorecer a receita do setor. “O Brasil pode se beneficiar parcialmente como exportador de commodities” em meio às incertezas globais, aponta o relatório, ainda que sob elevada volatilidade.

Esse efeito é reforçado pelo desempenho recente do comércio exterior. As exportações seguem contribuindo para o saldo comercial positivo, destacando o papel do agro no equilíbrio das contas externas. Para 2026, o banco projeta déficit em conta corrente de US$ 64,2 bilhões (2,6% do PIB), considerado administrável diante do fluxo de capital e da pauta exportadora.

No mercado interno, a demanda por alimentos continua sustentada. A renda média real e a massa salarial atingiram níveis recordes, o que tende a manter o consumo aquecido, mesmo em um contexto de juros elevados. Esse fator dá suporte a cadeias mais dependentes do mercado doméstico.

Por outro lado, o ambiente macroeconômico segue desafiador. A inflação deve atingir 4,4% em 2026, pressionada, entre outros fatores, pelos preços de energia, enquanto o crescimento do PIB é projetado em 1,6%. Nesse contexto, o Banco Central adota cautela na condução da política monetária e busca, segundo o relatório, “ganhar tempo” para avaliar os efeitos dos choques externos.