Preços do boi seguem estáveis com menos animais prontos para abate
A escala de abate está em 7,8 dias, o menor patamar para o mês desde 2021

Os preços do boi gordo e da carne bovina seguem estáveis neste início de 2026, mesmo em um período do ano tradicionalmente marcado por menor consumo no mercado interno. Levantamentos do Cepea, da Esalq/USP, mostram que a sustentação das cotações está diretamente ligada à menor oferta de animais prontos para o abate.
Em termos simples, há menos bois disponíveis do que o necessário para atender plenamente os frigoríficos. Isso fica claro ao observar as escalas de abate, que indicam por quantos dias as indústrias já têm animais comprados. “Na parcial de janeiro, a média nacional está em 7,8 dias, o menor patamar para o mês desde 2021. Em dezembro de 2025, esse número superava 14 dias, o que mostra um encurtamento significativo”, informou o Cepea em nota.
Segundo pesquisadores do Cepea, um dos fatores por trás desse movimento é a estratégia adotada pelos pecuaristas. Com condições de pastagem mais favoráveis neste início de ano, muitos produtores têm conseguido manter os animais no campo por mais tempo, aguardando melhores oportunidades de venda. Essa postura reduz a oferta no mercado e ajuda a sustentar os preços, mesmo com o escoamento da carne ocorrendo em ritmo mais lento, comportamento esperado para este período do mês.
Ao mesmo tempo, o consumo de carne acontece em ritmo mais lento, algo considerado normal para este período do mês. Esse equilíbrio entre oferta e demanda explica por que as cotações não caem, mesmo sem uma demanda forte.
Segundo informações da Scot Consultoria, o mercado vive um período prolongado de estabilidade. O boi China, que atende ao mercado exportador, especialmente à China, está cotado a R$ 322 por arroba, com uma diferença de preço de R$ 4 em relação ao boi comum.
“O chamado “boi China” está estável há 13 dias, a vaca há 44 dias e a novilha há 20 dias. Atualmente, o boi gordo é negociado a R$ 318 por arroba, a vaca a R$ 302 e a novilha a R$ 312”, informou a Scot em seu boletim diário.
Indicadores de Preços
No mercado futuro, as negociações na Bolsa Brasileira para o boi gordo apresentaram avanços nas últimas sessões, em que todos os contratos com vencimento no primeiro semestre fecharam em valorização, sinalizando um movimento positivo. O contrato com vencimento em fevereiro de 2026, que foi o mais negociado do dia, teve alta de 0,66% e terminou a sessão desta quarta-feira (21) cotado a R$ 327,50 por arroba.
Por outro lado, o Indicador do Boi Gordo Datagro mostrou um comportamento diferente do mercado futuro, em que teve queda de 0,66%, fechando o dia precificado em R$ 317,02 por arroba. Nas demais regiões produtoras do país, os preços subiram, acompanhando a dificuldade dos frigoríficos em encontrar animais prontos para o abate.
Na média parcial de janeiro, o Indicador do Boi Gordo CEPEA/ESALQ ficou em torno de R$ 319 por arroba. No atacado da Grande São Paulo, a carcaça casada bovina é negociada, em média, a R$ 23 por quilo, à vista. Esse conjunto de fatores mostra que, mesmo com o consumo mais fraco, a combinação de oferta restrita e postura firme dos produtores deve manter o mercado do boi gordo estável neste início de ano.


