Preços dos fertilizantes recuam, mas agricultores ainda tem dificuldades

Baixas margens dos produtos agrícolas dificultam a compra de insumos, mesmo com queda dos preços, avalia Rabobank

Por May Angel, da Reuters

Os preços globais dos fertilizantes recuaram em relação aos picos registrados durante ​a guerra entre os EUA e o ​Irã. Mas os agricultores ainda enfrentam dificuldades para arcar com esses custos, já que os preços relativamente baixos dos produtos agrícolas reduziram suas margens de lucro, afirmou o Rabobank.

Cerca de um terço do fluxo de fertilizantes costuma passar pelo Estreito de Ormuz e tem sofrido grandes interrupções desde o início da guerra.

Motivo de especial de preocupação são ⁠os fertilizantes à base de ​fosfato, cujos preços dispararam na esteira da guerra entre os EUA e ​o Irã e, ao contrário da ureia à base de nitrogênio, não recuaram porque ⁠os preços do enxofre, insumo essencial para ⁠a produção de fosfatos, permanecem em níveis recordes.

O Oriente Médio é ​responsável ‌por quase metade das exportações de enxofre, e os embarques caíram quase pela metade ⁠à medida que a guerra se prolongava.

O Rabobank espera que a acessibilidade dos fosfatos permaneça negativa até pelo menos julho do ano que vem. O banco afirmou que a retomada das ‌exportações ⁠chinesas poderia trazer algum ‌alívio, mas é improvável que reequilibre o mercado.

Apesar das restrições à acessibilidade dos fertilizantes, das interrupções no comércio e dos riscos climáticos, o banco afirmou que os mercados de ⁠commodities agrícolas continuam bem abastecidos no geral, graças ⁠ao acúmulo de estoques globais.

Embora se espere que a produção de milho, arroz e trigo diminua este ano, ‌os altos estoques globais devem manter os preços dentro das faixas estabelecidas, mesmo que na extremidade superior, afirmou o banco.

"As tendências atuais da relação estoques/consumo não se assemelham ao forte aperto observado em meados dos anos 2000, e o mercado parece mais ‌resiliente, com maior capacidade de absorver choques", afirmou o Rabobank.

Mais reduções no mercado do Brasil são possíveis

No mesmo relatório, o Rabobank afirmou que mais ajustes negativos no ⁠mercado de fertilizantes do Brasil são possíveis, diante das condições complexas no Oriente Médio.

Contudo, o banco manteve em 45,1 milhões de toneladas a previsão das entregas de fertilizantes no Brasil ​em 2026, ante um recorde de 49,1 milhões em 2025.

O Rabobank lembrou que já havia ​reduzido a projeção de entregas em meados do ano, ante 47 milhões na previsão de abril.

O Brasil é um dos maiores importadores de fertilizantes do mundo e também um dos maiores consumidores.