Primeiro dia de Trump e Xi Jinping termina sem anúncios para ao agro

A queda no preço da soja foi proporcional a decepção dos sojicultores norte-americanos que esperavam um pacote de vendas acima dos 25 milhões de toneladas. Soja cai mais de 3,5% nesta quinta

Juliana Camargo, da CNN Brasil, São Paulo
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A primeira reunião entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, nesta quinta-feira (14), terminou sem trazer detalhes oficiais sobre a pauta agro.  Apenas o comunicado do secretário Scott Bessent dizendo "a questão da soja está resolvida", dando a entender que o acordo de outubro passado não deve sofrer alterações.

No último encontro entre os dois líderes, Trump anunciou que a China aumentaria as compras de soja para 25 milhões de toneladas, por ano, até 2028. 

A queda no preço da soja foi proporcional a decepção dos agricultores norte-americanos que esperavam por um novo acordo.

O contrato para julho, para a soja em grão, abriu em forte queda na bolsa de Chicago, com recuo de mais de 2%. A queda avançou ao longo do dia chegando a 3,5% no começo da tarde de quinta.

“O mercado ainda não sabe dizer ao certo se esse "a questão da soja está resolvida" significa que a China não comprará mais ou se não comprará mais além do acordado. Se for a segunda hipótese, acredito que essa baixa não se justifica, já que a China se comprometeu a comprar 25 milhões de toneladas de soja americana no ciclo 26/27. Um volume bastante expressivo”, diz Raphael Bulascoschi, analista de inteligência de mercado da StoneX.  

A China reduziu drasticamente a dependência de produtos agrícolas dos EUA desde o primeiro mandato de Trump. Em 2025 apenas 15% da soja importada pela China saiu das lavouras norte-americanas. Em 2016 o percentual era 41%. 

O Brasil foi o principal beneficiado com as tensões entre Washington e Pequim. O tarifaço de Trump abriu espaço para a soja brasileira.  Em 2025 o faturamento com as exportações brasileira de soja foi de quase UR$ 37 bilhões. A China representou mais de 70% dos negócios. Nos primeiros 4 meses desse ano 27,7 milhões de toneladas já foram embarcadas.  

Rafael Silveira, consultor de inteligência da Safras & Mercado, explica que os chineses tendem a comprar mais soja norte-americana a partir de outubro, com a entrada da nova safra. “A China seguirá comprando bastante soja brasileira em julho, julho, agosto... O encontro em Pequi continua nesta sexta e precisamos ficar de olhos”, reforça Silveira. 

Trump quer um acordo que beneficie os agricultores norte americanos, sua principal base eleitoral. Mesmo sem um comunicado oficial das delegações chinesa e norte americana analistas ouvidos pela CNN acreditam que Trump possa ainda se esforçar em aumentar as vendas de outras commodities como trigo, sorgo, milho e carnes.