Processamento de soja, de 63,5 milhões de toneladas, será recorde em 2026

Bom desempenho das vendas externas de óleo, que devem crescer 36% este ano, e do farelo, que devem ser 8,5% maiores, contribuem para o aumento do esmagamento no país

Luciana Franco, da CNN Brasil, São Paulo
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A indústria brasileira de soja deve processar um volume recorde do grão em 2026, enquanto as exportações seguem em ritmo forte e ganham uma composição diferente entre os mercados de destino.

A combinação de maior esmagamento doméstico, crescimento das vendas externas de derivados e mudanças no mapa dos importadores revela uma transformação gradual na dinâmica do complexo soja brasileiro.

Em seu relatório mensal publicado na manhã desta sexta-feira (18.09) a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) elevou para 63,5 milhões de toneladas sua estimativa de processamento de soja em 2026, acima dos 63,3 milhões projetados anteriormente. O volume supera em cerca de 8,5% o recorde de 58,5 milhões de toneladas registrado em 2025.

Ao mesmo tempo, a entidade reduziu marginalmente a previsão de exportação da soja em grão, de 115,4 milhões para 115 milhões de toneladas. A produção foi mantida em 180,46 milhões de toneladas.

A revisão sugere uma alteração na destinação da safra brasileira. Enquanto uma parcela ligeiramente menor da soja deve sair do país na forma de grão, o processamento doméstico avança.

É uma mudança que ganha relevância porque o esmagamento gera produtos de maior valor agregado como farelo e óleo.

Demanda no mercado externo segue aquecida

No mercado externo, os números acumulados até agosto mostram que o complexo soja mantém forte desempenho. As exportações passaram de 86,53 milhões para entre janeiro e agosto de 2025, para 92,79 milhões no mesmo período de 2026, alta de aproximadamente 7%.

O crescimento, entretanto, não é homogêneo entre os mercados.

A China continua sendo o principal destino, mas os dados mostram redução em relação ao ano anterior, de 85,43 milhões para 64,75 milhões. Em sentido contrário, outros mercados ampliaram suas compras. A Ásia, excluindo a China, passou de 8,70 milhões para 10,55 milhões, enquanto a União Europeia avançou de 6,75 milhões para 7,92 milhões.

O movimento é relevante porque, embora a China permaneça central para o comércio exterior brasileiro de soja, os dados apontam para uma maior dispersão geográfica da demanda. O crescimento de mercados asiáticos fora da China, da União Europeia e de outros compradores reduz, na margem, a concentração das exportações em um único destino.

Índia se destaca nas compras de óleo

Essa diversificação ocorre justamente quando a indústria brasileira amplia sua capacidade de processamento.

A Abiove projeta uma produção de 12,80 milhões de toneladas de óleo de soja em 2026, contra 12,75 milhões na estimativa anterior. Mais significativo é o aumento previsto das exportações do produto que devem alcançar 1,80 milhão de toneladas em 2026, em alta de 36% sobre os 1,32 milhões de 2025.

Nos primeiros oito meses do ano os embarques de óleo de soja cresceram 42%, somando mais de 1,5 milhão de toneladas, sustentado especialmente pelo aumento das compras da Índia, que cresceram 56% e respondem por 70% das compras brasileiras.

Os estoques finais de óleo, por sua vez, devem cair de 836 mil para 786 mil toneladas, redução de 6%. A combinação de exportações maiores e estoques menores sugere um mercado externo mais absorvente para o derivado.

Vendas de farelo para Oriente Médio crescem 387%

No farelo, a produção foi revisada de 48,70 milhões para 48,90 milhões de toneladas, enquanto a projeção de exportações, embora tenha permanecido em 25,30 milhões de toneladas, deve ser 8,5% que as vendas de 2025. O estoque final deve subir 4,9%, para 4,30 milhões de toneladas.

As exportações brasileiras de farelo de soja cresceram 13% de janeiro a agosto, para 17,3 milhões de toneladas. A Ásia continuou como principal destino, mas perdeu participação, enquanto o Oriente Médio ganhou espaço: as vendas para a região dispararam 387%, para 1,87 milhão de toneladas.

Os números mostram uma reorganização da cadeia de valor da soja brasileira. O país continua exportando volumes gigantescos do grão, mas aumenta o processamento interno e amplia as vendas externas de produtos derivados, especialmente o óleo.

De acordo com Daniel Furlan Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiova,o ajuste nas estimativas reflete o forte desempenho do processamento nacional de soja e o aquecimento do mercado internacional para o óleo de soja. A elevação constante no acumulado do ano demonstra a eficiência e a competitividade do setor industrial em responder às demandas globais e domésticas.