Produtor aposta em ciclo de verão para produzir espumante no Rio de Janeiro

Mesmo com dupla poda, acidez e características fenólicas tem maior vantagem em ciclo de verão das uvas

Stêvão Limana, da CNN Brasil, São Paulo
Compartilhar matéria

Com a expansão da dupla poda em diferentes regiões produtoras do país, a Serra Fluminense começa a testar uma estratégia diferente para a produção de espumantes.

Em Teresópolis (RJ), a vinícola Maturano aposta no ciclo tradicional de verão para produzir Chardonnay destinada à elaboração de um espumante pelo método tradicional, com segunda fermentação em garrafa.

A região tem ganhado espaço entre os vitivinicultores brasileiros pelas condições climáticas favoráveis ao cultivo de uvas. A amplitude térmica e as temperaturas mais baixas durante a noite ajudam a prolongar o período de maturação das uvas e podem favorecer a concentração de açúcares, acidez e compostos aromáticos.

Enquanto produtores de diferentes regiões do país têm recorrido à dupla poda para deslocar a colheita para o inverno, a Maturano decidiu manter o ciclo tradicional da videira, com a colheita durante o verão. A aposta está na elaboração de um dos primeiros espumantes do estado do Rio de Janeiro pelo método tradicional.

A variedade escolhida foi a Chardonnay, uma das principais uvas utilizadas na produção de espumantes no mundo. A vinícola plantou 11 hectares da casta e pretende utilizar parte da produção para elaborar um Blanc de Blancs, espumante produzido exclusivamente a partir de uvas brancas. A proposta é trabalhar com diferentes períodos de autólise para definir o perfil final do produto.

Segundo o sócio-proprietário da vinícola, Marcelo Maturano, a inspiração para produzir espumante no Rio de Janeiro surgiu após uma visita à Maison Jacquesson & Fils, na região de Champagne, na França.

“A Jacquesson é uma vinícola de 230 anos e um diferencial que a gente encontrou ali foi que os vinhos são fermentados em barricas de carvalho. Ali tem complexidade, passa uma cor pro vinho. Fica fantástico. Então a gente trouxe dois tanques de 7.500 litros pro Brasil pra fazer uma linha super premium de um espumante Maturano”, afirma.

A experiência também influenciou a estrutura que a vinícola está montando para a nova linha. Ao todo, os dois tanques têm capacidade de 15 mil litros e serão utilizados na elaboração dos vinhos destinados aos espumantes.

Nos próximos anos, a vinícola pretende incorporar a Pinot Noir ao projeto. A variedade, conhecida pela sensibilidade no campo e pela necessidade de manejo cuidadoso, deverá ser cultivada também no ciclo de verão para a elaboração de um vinho base que possa ser utilizado em cortes com a Chardonnay.

Para reduzir os riscos de doenças no vinhedo, a Maturano avalia utilizar um clone de Pinot Noir que produza cachos mais descompactados. A característica reduz a concentração de umidade entre as bagas, diminuindo a incidência de fungos e facilitando o manejo das plantas.

Após a fase de testes e o desenvolvimento do produto, a vinícola pretende chegar a uma produção de cerca de 100 mil garrafas de espumante por ano.