Produtores paraguaios já venderam 18% da safra 2026/27 de soja, diz StoneX

Volume de negócios representa o dobro da média dos últimos cinco anos

Luciana Franco, da CNN Brasil, São Paulo
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A comercialização antecipada de soja se acelerou no Paraguai nas últimas semanas, impulsionada por preços mais favoráveis aos produtores.

Segundo Larissa Barboza Alvarez, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, cerca de 18% da safra paraguaia de soja 2026/27 já foi comercializada, percentual que representa o dobro da média dos últimos cinco anos para o período, de 9%.

O avanço ocorreu após os preços alcançarem aproximadamente US$ 400 por tonelada ao produtor, estimulando a realização de negócios antes mesmo de um avanço significativo do plantio.

O plantio da nova safra começou oficialmente em 1º de setembro, mas ainda está em ritmo inicial, com menos de 5% da área projetada semeada. Os trabalhos estão mais adiantados no sul do país, enquanto as regiões do norte avançam mais lentamente.

Geadas registradas no primeiro fim de semana de setembro atingiram algumas áreas que já haviam emergido.

Os impactos, no entanto, são pontuais e não devem alterar de forma significativa as perspectivas de produção, já que a maior parte da área ainda será plantada nas próximas semanas.

A consultoria mantém a estimativa de 11,49 milhões de toneladas de soja para o ciclo 2026/27, considerando a safra principal e a safrinha. Desse total, 9,86 milhões de toneladas correspondem à primeira safra e 1,28 milhão de toneladas à segunda.

No mercado disponível, a oferta de soja no Paraguai permanece restrita. De acordo com Larissa, a demanda brasileira tem exercido forte influência sobre os fluxos comerciais, ao oferecer uma remuneração superior à observada no mercado paraguaio.

A referência em Assunção está em torno de US$ 467 por tonelada, enquanto a paridade de exportação para o Brasil chega a aproximadamente US$ 480 por tonelada. A diferença favorece o direcionamento dos embarques para o mercado brasileiro.

Milho tem 65% da safra comercializada

No milho, a colheita da safrinha paraguaia está próxima do fim e confirma um desempenho produtivo positivo, especialmente nas regiões do norte. Foram registrados problemas pontuais de qualidade nos últimos volumes colhidos, principalmente no sul, mas a produtividade geral permanece dentro das expectativas da consultoria.

O principal entrave está agora na comercialização. Cerca de 65% da safra já foi vendida, e muitos produtores conseguiram cumprir seus compromissos financeiros, reduzindo a necessidade de negociar os volumes restantes.

Com isso, vendedores passaram a buscar preços próximos de US$ 160 por tonelada, enquanto as ofertas dos compradores permanecem em torno de US$ 155 por tonelada.

A diferença de US$ 5 por tonelada tem limitado a originação de novos lotes. Intermediários e consumidores finais não demonstram disposição para elevar as ofertas, enquanto produtores aguardam uma melhora das condições de mercado para vender o restante da produção.

A StoneX mantém, sem alterações, a estimativa de 5,73 milhões de toneladas para a produção de milho da safrinha de 2027 no Paraguai.