Russos não conseguem compensar possível crise de oferta de adubo

A Rússia é responsável por cerca ​de um quinto do comércio global de fertilizantes

Por Gleb Bryanski e Anastasia Lyrchikova, da Reuters
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Os produtores de fertilizantes da Rússia, o maior ​exportador do mundo, não conseguirão compensar um ​possível déficit global ligado ao conflito entre os Estados Unidos e o Irã, pois sua capacidade de aumentar a oferta está limitada, disseram fontes do setor à Reuters na sexta-feira.

A guerra fechou as fábricas de fertilizantes no Oriente Médio e interrompeu gravemente as rotas de transporte pelo Estreito de Ormuz, canal ⁠para cerca de um terço ​do comércio global de fertilizantes.

A Rússia é responsável por cerca ​de um quinto do comércio global de fertilizantes, mas a capacidade limitada, os ⁠limites de exportação e os recentes ⁠ataques ucranianos às principais fábricas restringem sua capacidade de aumentar ​a ‌produção, disseram as fontes.

Não se espera que novas fábricas voltadas para a ⁠exportação entrem em operação antes de 2027, de acordo com uma fonte que falou sob condição de anonimato.

"Os preços mais altos parecem ótimos no papel, mas os produtores ‌russos ⁠estão encurralados pelas ‌obrigações de fornecimento interno, especialmente antes da temporada de plantio", disse outra fonte do setor, que também falou sob condição de anonimato.

"E qualquer lucro inesperado ⁠provavelmente chamará a atenção do governo, que ⁠procura maneiras de aumentar as receitas orçamentárias."

Uma terceira fonte, que também falou sob condição de anonimato, ‌disse que as empresas estão atualmente concentradas em atender à demanda doméstica.

"Pode ser possível cobrir, em um horizonte curto, a demanda não atendida sem o Oriente Médio, mas, a longo prazo, é um volume muito grande para ‌ser substituído", acrescentou a fonte.

Um ataque de drones ucranianos a Dorogobuzh, uma das maiores fábricas de fertilizantes da Rússia, de propriedade da grande produtora ⁠Acron, em 25 de fevereiro, paralisou temporariamente cerca de 5% da capacidade geral de produção do país e matou sete pessoas.

Dorogobuzh é responsável por 11% da ​produção de nitrato de amônio da Rússia e 9% de sua produção de ​fertilizantes NPK, uma mistura de nitrogênio, fósforo e potássio.

A Rússia, que também é o maior exportador de trigo do mundo, introduziu restrições à exportação de fertilizantes em 2021 para garantir uma oferta suficiente ‌no mercado interno.

Da Reuters, Moscou.