Safra de laranja cresce 26,9%, mas fica abaixo da expectativa
Fundecitrus diz que produção do cinturão citrícola fecha em 292,94 milhões de caixas, com impacto de seca e greening e perda de 88,5 milhões de caixas na safra 2025/26

A safra de laranja 2025/26 do cinturão citrícola de SP (São Paulo) e do Triângulo/Sudoeste de MG (Minas Gerais) foi fechada em 292,94 milhões de caixas de 40,8 kg, informou o Fundecitrus nesta sexta-feira (10).
O volume representa alta de 26,9% em relação à safra anterior, quando foram colhidas 230,87 milhões de caixas, mas ficou 6,9% abaixo da estimativa inicial de 314,60 milhões de caixas, divulgada em maio de 2025.
Na comparação com a reestimativa de fevereiro, houve leve alta de 0,1%, indicando estabilidade no resultado final, em meio ao equilíbrio entre o efeito das chuvas no início de 2026 e o aumento da queda de frutos nas variedades tardias.
A produção ficou concentrada nas variedades tardias, com destaque para Valência e Folha Murcha, que somaram 104,53 milhões de caixas. A variedade Pera respondeu por 87,44 milhões de caixas, enquanto a Natal registrou 37,09 milhões. As variedades precoces, como Hamlin, Westin e Rubi, totalizaram 46,23 milhões de caixas, e outras precoces somaram 17,65 milhões.
Do total produzido, cerca de 25,69 milhões de caixas vieram do Triângulo Mineiro, reforçando o peso da região fora de São Paulo na oferta nacional.
O desempenho da safra foi impactado por uma combinação de fatores climáticos e fitossanitários. O déficit hídrico ao longo do ciclo produtivo e a maior incidência de greening reduziram o peso dos frutos e elevaram as perdas no campo.
“Fatores climáticos e fitossanitários, em um contexto de colheita mais tardia, contribuíram para o aumento da taxa de queda e para a redução do peso dos frutos em relação à estimativa inicial. A safra 2025/26 foi marcada por um ritmo de colheita mais tardio em comparação às safras anteriores.”
Entre maio de 2025 e março de 2026, o volume acumulado de chuvas no cinturão foi de 1.135 milímetros, 13% abaixo da média histórica. Os maiores déficits foram registrados no setor Norte, com destaque para o Triângulo Mineiro e Altinópolis, onde a redução chegou a 30%. Já o setor Sul foi o único com volumes acima da média histórica.
A safra também foi caracterizada por um atraso na colheita, influenciado pela maior proporção de frutos de segunda florada. Parte relevante da produção, especialmente da variedade Pera, acabou sendo colhida ainda sob condições de estiagem, já que as chuvas mais intensas só se consolidaram a partir da segunda metade de outubro.
No início de 2026, as chuvas ajudaram a recuperar parcialmente o peso dos frutos que ainda estavam no campo. Em meados de janeiro, cerca de 25% das variedades Valência e Folha Murcha e 23% da Natal ainda aguardavam colheita.
“Esse remanescente foi beneficiado pelas chuvas dos primeiros meses de 2026 que, apesar de abaixo da média histórica, favoreceram um discreto crescimento dos frutos em relação ao projetado na reestimativa de 10 de fevereiro de 2026.”
Apesar disso, o tamanho médio dos frutos caiu no consolidado da safra. O número de laranjas necessárias para completar uma caixa subiu de 258 para 266 unidades, indicando redução no peso médio de 158 gramas para 153 gramas por fruto.
A colheita mais tardia aumentou a exposição dos frutos a doenças e condições climáticas adversas, elevando a taxa de queda. No fechamento da safra, a taxa média ficou em 23,2%, alta de 3,2 pontos percentuais em relação à projeção inicial.
As maiores perdas foram registradas nas variedades tardias, com 26% no grupo Valência e Folha Murcha e 28,8% na variedade Natal.
No total, a queda prematura de frutos gerou perda estimada de 88,49 milhões de caixas. O greening foi o principal responsável, com impacto de 49,59 milhões de caixas, o equivalente a 56% das perdas totais.
“A perda de produção decorrente da queda prematura de frutos foi estimada em aproximadamente 88,49 milhões de caixas. O principal motivo dessa perda na safra foi o greening, contribuindo com 13,0%, o que corresponde a 49,59 milhões de caixas.”
Outros fatores também contribuíram para a quebra, como o bicho-furão e as moscas-das-frutas, que responderam por 14,49 milhões de caixas, além da leprose, com 9,54 milhões de caixas.


