Setor de máquinas agrícolas vai crescer 3,4% em 2026, prevê Abimaq
Juros altos no Brasil e câmbio menos favorável devem afetar crescimento

O setor de máquinas agrícolas deve crescer 3,4% em 2026, projeta a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas Agrícolas (Abimaq). A previsão, entretanto, é menor do que o crescimento acumulado em 2025, que foi de 7,4%, equivalente a uma receita de R$ 66,75 bilhões, como divulgou a entidade nesta quarta-feira (28/1).
As projeções mais modestas devem influenciar o apetite de investimento da indústria de máquinas este ano, avalia Cristina Zanella, diretora de competitividade, economia e estatística da Abimaq. O cenário de desaceleração acompanha uma política monetária mais restritiva, com juros elevados no Brasil, além de câmbio menos favorável.
“Apesar da estimativa de uma nova produção recorde de grãos, os investimentos feitos em 2025, como modernização e renovação da frota, ficam represados e reduzem a necessidade do produtor de investir em máquinas”, detalha a diretora.
No mercado interno, as vendas subiram 6,7% no ano passado, para R$ 57,59 bilhões. Já as exportações de máquinas e implementos agrícolas tiveram crescimento de 12,2% no período, passando para US$ 1,63 bilhão. As importações cresceram 1,4%, para US$ 1,22 bilhão. Os números foram apresentados em uma coletiva setorial, onde a entidade frisou que o termômetro do setor está no andamento dos negócios domésticos.
Em relação ao mercado externo, há preocupação com a trava judicial do acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul e com o avanço da China nesta indústria. Há 10 anos, o país asiático não aparecia entre produtores e exportadores de máquinas agrícolas e a emergência chinesa no segmento deixa o setor em alerta, já que a competitividade na fabricação de equipamentos está em jogo.
“Faz parte do planejamento estratégico do governo da China expandir sua presença mundial nesse segmento. Principalmente para máquinas de menor porte voltadas à agricultura familiar, os chineses venderam bastante no Brasil nos últimos meses. Isso é reflexo da perda de competitividade que a indústria nacional de máquinas e equipamentos sofreu ao longo das últimas décadas”, pondera Zanella.
Em relação a empregabilidade, o setor fechou 2025 com 122,2 mil pessoas empregadas, uma alta de 6,8% em relação a 2024.
Investimentos em 2026
No fim do ano passado, a Abimaq mapeou a intenção de aporte financeiro das indústrias de máquinas agrícolas. Entre as empresas com receita anual entre R$ 18 milhões e R$ 100 milhões, as estimativas são positivas com investimento de 13,2% a mais em 2026. Já entre os grandes fabricantes, com faturamento acima de R$ 100 milhões, os aportes devem subir 5,5%.
Por outro lado, as micro e pequenas indústrias, com rendimentos menores que R$ 18 milhões, devem deixar de investir e retrair 1,3%. Os cortes representam uma continuidade de retração que todo o setor amargou em 2023 e 2024.
Para a diretora de comércio exterior da Abimaq, Patrícia Gomes, o levantamento reflete a taxa de juros alta - mantida nesta quarta-feira em 15% pelo Banco Central - e das dificuldades que os negócios de menor porte estão tendo para acessar crédito. “Gostaríamos de ver uma queda de 0,5% na taxa de juros, mas não acreditamos que isso vá acontecer em 2026”, afirma.


