Soja avança em Chicago com suporte do óleo e atenção ao clima nos EUA

Petróleo, biodiesel e cenário climático no EUA sustentam preços, enquanto Brasil revisa projeções de exportação

Andressa Simão, da CNN Brasil, São Paulo
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Os contratos futuros da soja encerraram a sessão desta quarta-feira (29) com leves ganhos na Bolsa de Chicago. O vencimento para julho avançou 0,65% e fechou cotado a US$ 11,97 por bushel.

O preço foi sustentado principalmente pela valorização do óleo de soja, que segue acompanhando a alta do petróleo e o aumento da demanda da indústria de biodiesel. A Granar destacou que esse movimento tem sido o principal fator de suporte para os preços no mercado internacional. Ao fim do dia, o contrato de óleo de soja para julho registrou alta de US$ 35,27 e encerrou a US$ 1.634,03 por tonelada.

No cenário climático dos Estados Unidos, a previsão indica chuvas leves no Meio-Oeste americano ao longo do restante da semana, o que deve favorecer o avanço do plantio. Ainda assim, a necessidade de precipitações mais consistentes aumenta para a próxima semana, diante do risco de déficit hídrico na principal região produtora.

Na última quinta-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) elevou de 29% para 30% a estimativa da área de soja afetada por algum nível de seca. No mesmo período do ano passado, esse índice era de 21%.

No Brasil, a ANEC (Associação Nacional de Exportadores de Cereais) reduziu sua previsão de embarques de soja em abril de 16,39 para 15,87 milhões de toneladas. O volume ainda supera os 15,84 milhões de toneladas registrados em março e os 13,50 milhões de toneladas embarcados em abril de 2025.

Para o farelo de soja, a entidade ajustou a estimativa de exportação de 3,03 para 2,75 milhões de toneladas. Apesar do corte, o número segue acima dos 2,24 milhões de toneladas de março e dos 2,15 milhões de toneladas do mesmo mês do ano anterior.

Milho

O contrato futuro do milho com vencimento em julho encerrou a sessão com alta de 0,47% na Bolsa de Chicago, cotado a US$ 4,7575 por bushel.

O mercado registrou leve valorização ao longo do dia, sustentado pelo ritmo firme das exportações dos Estados Unidos e pela continuidade da alta do petróleo, fator que tende a melhorar a rentabilidade da produção de etanol.

Nesse cenário, voltou ao radar a possibilidade de autorização permanente para a comercialização da gasolina E15 nos Estados Unidos. A medida ganha força após um acordo preliminar entre republicanos e democratas para alterar a legislação agrícola e eliminar as atuais permissões temporárias, tornando a mistura obrigatória. A análise da proposta deve ocorrer na segunda quinzena de maio.

Trigo

Os contratos futuros do trigo encerraram a sessão em queda na Bolsa de Chicago, após uma sequência de fortes ganhos no pregão anterior. O vencimento para julho recuou 0,72% e fechou cotado a US$ 6,5300 por bushel.

Depois de atingir o maior nível em quase dois anos, o mercado do cereal apresentou um movimento misto ao longo do dia, com parte das perdas concentradas em Chicago. A queda foi influenciada principalmente por realização de lucros por investidores, após a recente sequência de valorização.

Apesar do recuo pontual, a Granar destacou que o mercado segue sustentado por fundamentos de alta, como as condições desfavoráveis das lavouras de trigo de inverno e o atraso no plantio da variedade de primavera. O cenário ocorre em meio à projeção de que os Estados Unidos devem registrar a menor área plantada de trigo desde 1919.