Soja brasileira recua depois de atingir cotação recorde no ano
A saca de 60 quilos abriu agosto com recuo de quase 3% desde o valor máximo de R$ 148,37 atingido em 24 de julho
Depois de atingir a melhor cotação no Porto Paranaguá (PR) de 2026, em valores reais, a soja brasileira vem registrando dias seguidos de movimento queda.
A saca de 60 quilos abriu o mês de agosto negociada a R$ 144,04, recuo de 2,92% desde o pico de R$ 148,37 registrado em 24 de julho.
De acordo o Cepea, a melhora das perspectivas para a safra norte-americana e a desvalorização do petróleo reforçaram a queda da cotação, além da maior oferta de grãos no mercado spot nacional.
No mercado internacional os futuros da soja operam em queda de 0,5% na manhã desta terça-feira (04).
O relatório semanal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos mostra que 63% das lavouras de soja estão em boas a excelentes condições.
No caso do milho, 61% das lavouras foram classificadas em condições boas a excelentes., abaixo dos 63% registrados na semana anterior. Isso é reflexo do clima quente e seco que predomina o cinturão agrícola no meio-oeste norte-americano.
Para as duas culturas os índices estão abaixo da média para o período nos últimos três anos. O clima deve se manter como fator predominante na formação dos preços.
Clima e Guerra: preço do trigo seguirá em alta
O contrato futuro do trigo opera mais um dia em alta na Bolsa de Chicago, após registrar avanço de 1,8% na segunda-feira (03).
O contrato de setembro, o mais negociado na CBOT, avançava 0,88% cotado a US$ 6,50 por bushel, sustentando a trajetória de valorização expressiva. No acumulado do ano, a commodity acumula alta de 26%.
A escalada de ataques entre Rússia e Ucrânia, mirando embarcações e portos de escoamento dos grãos, continua a gerar instabilidade nos fluxos de exportação dos dois principais produtores globais do cereal.
Apesar do leve recuo nos preços na última semana, devido ao encarecimento de fretes e seguros, o mercado projeta um aumento nos embarques russos ao longo de agosto na comparação com julho.
Segundo analistas, o mercado ainda não precificou os impactos nas exportações e venda de trigo e a tendência é de novas altas.
Outro fator, que deve continuar impulsionar a alta, é a seca nos Estados Unidos, que reduziu de forma relevante a colheita de trigo de inverno e enxugou a oferta global.
Trigo paranaense é negociado nos maiores preços reais desde agosto de 2025
O trigo negociado no Paraná atingiu, em termos reais, o patamar mais elevado desde agosto do ano passado segundo monitoramento feito pelo Cepea. O movimento é puxado pela escassez de lotes disponíveis no mercado spot, num momento em que compradores buscam recompor estoques.
Pesquisadores do Cepea apontam que a procura por grãos de melhor qualidade tem levado compradores a melhorar suas propostas aos poucos. Do lado da oferta, porém, o cenário é de escassez: vendedores ainda têm pouco trigo da safra 2025 em mãos, o que restringe os negócios a operações pontuais e mantém o mercado aquecido.
À pressão da oferta limitada juntou-se, na última semana de julho, a chegada dos primeiros efeitos do El Niño sobre o Sul do país.
Chuvas volumosas e rajadas de vento fortes deixaram produtores em estado de atenção, especialmente nas regiões triticultoras. Para o Cepea, essa combinação de fatores — safra curta e clima adverso — ajuda a explicar a escalada dos preços, sentida com mais força no mercado de balcão paranaense.


