Compras de soja pela China não evitam quarta queda seguida nos EUA
Avanço da colheita no Meio-Oeste americano e perspectiva de safra recorde superam o impacto da retomada das compras chinesas; grão atingiu menor cotação em sete semanas

Os futuros da soja nos Estados Unidos caíram pela quarto dia consecutivo nesta quinta-feira (15), atingindo a menor cotação em sete semanas, já que a colheita em pleno andamento, e que deve resultar em uma safra recorde nos EUA, compensou o apoio proveniente da retomada da demanda chinesa, segundo analistas.
Os futuros do milho recuaram diante de perspectivas climáticas favoráveis para a colheita. O trigo recuou, à medida que o apoio inicial decorrente das preocupações com o transporte marítimo no Mar Negro deu lugar a vendas técnicas e à pressão indireta causada pela queda dos preços do milho e da soja.
Um recente período de tempo seco no Meio-Oeste dos EUA permitiu que os agricultores acelerassem a colheita das culturas de verão, e muitos produtores estavam colhendo a soja antes do milho. Chuvas retardaram o ritmo dos trabalhos no campo na região oeste do Meio-Oeste nesta quinta-feira, mas um padrão mais seco era esperado para a próxima semana, segundo meteorologistas.
A soja com vencimento em novembro na bolsa de Chicago (CBOT) caiu 14,25 centavos, para US$12,63 o bushel. O milho com vencimento em dezembro caiu 2,75 centavos, para US$4,78 o bushel, mantendo-se dentro de uma faixa de negociação estreita após ter despencado na semana passada, em resposta a uma perspectiva de safra inesperadamente grande divulgada pelo Departamento de Agricultura dos EUA.
A soja não se abalou com as notícias de mais compras de produtos norte-americanos pela China, já que o ritmo de compras do maior importador mundial não tem sido tão forte quanto alguns operadores esperavam. A China concordou em comprar 25 milhões de toneladas por ano durante recentes negociações comerciais, segundo a Casa Branca, e dados do governo mostraram que o país cumpriu cerca de metade do compromisso até o momento.
“É bom ver que eles estão comprando, mas ainda não estamos onde precisamos estar”, disse Brodrick Schmidt, analista da US Commodities.
A moagem doméstica de soja nos EUA no mês passado também ficou aquém das expectativas, de acordo com um relatório mensal da Associação Nacional de Processadores de Oleaginosas divulgado nesta quinta-feira.
Os futuros de trigo para dezembro na CBOT fecharam com queda de 3,25 centavos, a US$6,70 o bushel. As vendas no contrato de referência aumentaram depois que ele ultrapassou sua média móvel de 100 dias, mas posteriormente não conseguiu se manter acima desse importante nível técnico.


