Soja e carnes impulsionam exportações do agro em abril

Embarques de café, etanol e açúcar registraram queda no período. Para colunista da CNN Agro News, Marcos Fava Neves, expectativa do setor era de aumento das vendas externas do biocombustível

Luciana Franco, da CNN Brasil, São Paulo
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As exportações do agronegócio brasileiro atingiram o maior valor da série histórica para o mês de abril desde 1997. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária, os embarques do setor somaram US$ 16,65 bilhões no mês passado, alta de 17% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O agro respondeu por quase metade de todas as exportações brasileiras no período, consolidando o setor como principal motor da balança comercial do país.

Apesar do avanço expressivo, o cenário ainda traz desafios para os produtores, principalmente por causa da valorização do real frente ao dólar, que reduz a rentabilidade das exportações quando convertidas para a moeda brasileira. De acordo com professor Marcos Fava Neves, colunista da CNN Agro, o resultado positivo combina aumento de volumes exportados e melhora de preços em alguns segmentos estratégicos, especialmente na soja e nas proteínas animais.

Destaque para soja 

A soja foi um dos principais destaques do período. O grão registrou crescimento de cerca de 8% no volume exportado e avanço de aproximadamente 6% nos preços internacionais. O óleo de soja também surpreendeu positivamente, impulsionado pelo aumento da demanda global por biocombustíveis. "Parte das importações do óleo brasileiro pode estar sendo direcionada para a produção de biodiesel em outros países, em meio ao cenário de petróleo mais caro no mercado internacional", avalia Neves.

As carnes também sustentaram o bom desempenho das exportações. O setor de frango teve aumento de cerca de 4% nos embarques, enquanto a carne suína avançou aproximadamente 14% em volume. Os preços internacionais também permaneceram em patamares elevados.

Quedas inesperadas

Por outro lado, alguns segmentos registraram retração. O café apresentou queda de aproximadamente 25% no volume exportado, além de recuo nos preços em dólar. "O etanol também decepcionou, com embarques cerca de 50% menores, mesmo diante do cenário internacional de petróleo valorizado", diz Neves.

O açúcar também teve desempenho mais fraco no primeiro quadrimestre, refletindo preços internacionais menores e redução nos volumes exportados.

Mesmo com oscilações entre setores, analistas avaliam que o agronegócio brasileiro segue favorecido pelo cenário global de insegurança alimentar e pela demanda internacional por commodities. O desempenho reforça o papel estratégico do Brasil no abastecimento mundial de alimentos e energia renovável.