Soja recua em Chicago com expectativa para USDA e demanda da China
Mercado ajusta posições antes das novas estimativas de produção e estoques dos EUA, enquanto ritmo da colheita e demanda chinesa seguem no radar

O contrato futuro da soja para entrega em novembro fechou a sessão desta quinta-feira (8) em queda de 0,77%, a US$ 12,87 por bushel, na Bolsa de Chicago.
Segundo a Granar, os investidores adotaram uma postura mais cautelosa antes da divulgação do relatório mensal do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), prevista para esta sexta-feira (9). As expectativas de analistas privados apontam para ligeiros aumentos nas estimativas de produção e nos estoques de soja dos Estados Unidos, o que contribuiu para pressionar as cotações.
A Agrinvest também destacou que os futuros da soja operaram no campo negativo ao longo da sessão. A pressão sobre o complexo veio principalmente do farelo, que recuou cerca de US$ 8 por tonelada curta, enquanto o óleo de soja apresentou leve alta.
O mercado também acompanha o avanço da colheita norte-americana. A previsão de tempo mais seco deve permitir uma aceleração dos trabalhos no campo, embora o atraso registrado até o momento mantenha a atenção dos investidores sobre a disponibilidade de oferta no curto prazo.
Nas vendas semanais de soja dos Estados Unidos, o volume recuou 47%, para 549,4 mil toneladas. No farelo, o volume total chegou a 1,048 milhão de toneladas, mas desse montante 861,9 mil toneladas correspondem a negócios de carregamento de períodos anteriores. As novas vendas somaram cerca de 185,7 mil toneladas.
Além dos dados de oferta e demanda dos Estados Unidos, o mercado segue atento aos próximos movimentos da China nas compras de soja norte-americana, em um momento de expectativa em relação ao fluxo comercial entre os dois países.
Milho
O contrato futuro do milho para entrega em dezembro fechou em queda de 0,35% na Bolsa de Chicago, a US$ 5,02 por bushel. O mercado de cereais operou pressionado antes da divulgação do USDA, com os investidores ajustando posições à espera das novas estimativas para oferta e demanda.
Segundo a Agrinvest, as perdas para as referências do milho foram consideradas contidas. Nas vendas semanais dos Estados Unidos, o milho somou 769,5 mil toneladas, alta de 44% em relação à semana anterior. O volume ficou dentro das expectativas do mercado, próximo do piso das projeções.
A Granar destacou que o milho também foi pressionado pelo resultado do relatório semanal de exportações, que foi considerado fraco. O volume negociado não foi suficiente para reduzir o ritmo de queda acumulada nos negócios externos dos Estados Unidos, enquanto o avanço da colheita no Meio-Oeste norte-americano também pesa sobre as cotações ao ampliar a perspectiva de disponibilidade de oferta.
Outro fator acompanhado pelos investidores é a valorização do dólar em relação ao euro nas últimas semanas. Mesmo com uma correção parcial no movimento, o câmbio continua aumentando o preço do milho norte-americano para compradores europeus.
Os Estados Unidos esperam ampliar sua participação no mercado da União Europeia diante da redução da produção do bloco e das restrições impostas pela Ucrânia às exportações pelo Mar Negro.
Trigo
O contrato futuro do trigo para entrega em dezembro fechou em queda de 0,47% na Bolsa de Chicago, a US$ 6,83 por bushel, em uma sessão marcada pela pressão do câmbio e pela permanência dos riscos logísticos no Mar Negro.
Segundo a Granar, a força do dólar em relação ao euro continuou pesando sobre os preços do trigo nos mercados americanos. Embora o movimento tenha sido parcialmente atenuado, a valorização da moeda norte-americana reduz a competitividade do produto dos Estados Unidos diante dos embarques da União Europeia, que passam a ter maior vantagem no mercado internacional.
De acordo com a Agrinvest, os ataques registrados ao longo da semana mantêm as incertezas sobre a logística da região e elevam o risco de interrupções no fluxo de comercialização, o que contribui para aumentar a volatilidade das cotações do trigo.

