Solinftec mira aceleração com crédito e robótica no campo

Empresa espera alcançar R$ 500 milhões em faturamento em 2026 puxado por robôs autônomos

Gabriella Weiss, da CNN Brasil, Ribeirão Preto (SP)
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A Solinftec espera ultrapassar R$ 500 milhões em faturamento em 2026, apoiada na combinação entre o crescimento da plataforma digital e a expansão de novas frentes, como robótica autônoma e modelos de financiamento voltados ao produtor rural.

A companhia estrutura sua trajetória sobre dois negócios em estágios distintos. A plataforma tecnológica, em operação desde 2007, sustenta a geração atual de receita e rentabilidade. 

Já a frente de robôs autônomos representa a principal aposta de crescimento adicional, inserida no avanço da chamada inteligência artificial física, ou seja, quando sistemas passam a executar decisões diretamente no campo.

Segundo o diretor financeiro da companhia, Murilo Toneta, a operação consolidada mantém um ritmo de crescimento entre 10% e 20% ao ano, com margens e EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) preservados, enquanto a nova frente tende a puxar a expansão para patamares mais elevados à medida que ganha escala.

Estimular o apetite do produtor

O plano de expansão ocorre em um contexto de maior restrição no setor agrícola, marcado por margens comprimidas e menor propensão a investimento por parte do produtor.

A companhia aponta que o ambiente de preços das commodities tem impacto direto na decisão de investimento do produtor rural. Em cenários de preços mais baixos, há maior cautela na adoção de novas tecnologias e necessidade de estruturas de financiamento mais flexíveis.

“Quando o preço da saca está baixo, é natural que o produtor fique menos propenso ao investimento, ou precise de mais convencimento”, afirmou Toneta.

Nesse cenário, a empresa tem estruturado alternativas para viabilizar a adoção tecnológica em um momento em que “o mercado como um todo está difícil”, disse a companhia em coletiva na Agrishow. Entre elas, a utilização de crédito de ICMS em operações que combinam capex (despesas de capital) e opex (despesas operacionais), modelo tradicionalmente aplicado a máquinas e ativos, mas agora estendido também a serviços.

A empresa também tem direcionado sua estratégia comercial para produtores médios e pequenos, com foco em regiões como Paraná e Rio Grande do Sul, e culturas como soja, milho e algodão.

Além disso, a Solinftec vem ampliando o uso de instrumentos já difundidos no agronegócio, como barter e CPR, adaptando esses modelos para a contratação de tecnologia. 

O COO (diretor de operações), Emerson Crepaldi, afirmou que a empresa trabalha com diferentes estruturas de pagamento, incluindo parcelamentos mais longos e períodos de carência, além de ajustes de fluxo de caixa pós-colheita, buscando adequação às diferentes realidades do produtor.

“Somos muito flexíveis para atender diferentes perfis de produtor e manter o crescimento estratégico”, disse o COO.

Diversificação

A empresa também afirma que seu modelo de atuação busca reduzir a exposição direta aos ciclos de commodities, por meio da diversificação de culturas e da forma como os contratos são estruturados com os clientes.

Segundo Toneta, a operação permite certa estabilidade mesmo em anos mais desafiadores, com possibilidade de renovação ou ajuste de contratos ao longo do ciclo produtivo.

A Solinftec avalia que essa estrutura contribui para reduzir a volatilidade típica do setor agrícola, embora reconheça que o comportamento de investimento do produtor continua sensível às condições de mercado.