S&P rebaixa rating da Cosan e cita reestruturação da Raízen

Perspectiva negativa reflete risco de falha em fortalecer estrutura de capital ou elevar cobertura da dívida, segundo agência

Kaique Cangirana, da CNN Brasil, São Paulo
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A agência de classificação de risco S&P Global Ratings rebaixou a nota de crédito da Cosan de BB- para B+ e manteve perspectiva negativa para a companhia. A decisão reflete a avaliação de que a holding perdeu força em seu perfil de negócios após a reestruturação da dívida da Raízen e que sua estrutura de capital continua pressionada, exigindo novas vendas de ativos para cumprir compromissos financeiros.

Segundo a S&P, embora os riscos de contágio da reestruturação da Raízen tenham diminuído e a agência não espera aportes de caixa ou novas obrigações relevantes da Cosan para socorrer a subsidiária, a conversão de parte da dívida da Raízen em participação acionária reduzirá significativamente a fatia econômica da holding na empresa.

Para a agência, essa diluição enfraquece a diversificação dos negócios da Cosan, historicamente um dos principais fatores de sustentação de seu perfil de crédito.

No relatório divulgado nesta quarta-feira (8), a S&P destaca que a Cosan já realizou uma série de operações para reduzir o endividamento, incluindo amortizações de cerca de R$ 9 bilhões, apoiadas pela oferta subsequente de ações de R$ 10 bilhões e pelos recursos obtidos com o IPO da Compass.

Ainda assim, a agência estima que os indicadores de cobertura de juros permanecerão abaixo de 1 vez nos próximos dois anos caso a companhia não realize novas alienações de ativos. Isso porque os dividendos esperados de Rumo, Compass, Moove e Radar não seriam suficientes para cobrir as despesas financeiras da holding.

A S&P afirma que a estratégia de desinvestimentos permanece cercada de incertezas. A administração da Cosan já sinalizou que pretende reduzir a dívida líquida a zero e avalia alternativas envolvendo ativos relevantes, como a participação na Rumo.

Na avaliação da agência, porém, novas vendas podem reduzir ainda mais a diversificação do grupo e comprometer sua capacidade de geração de dividendos no longo prazo, ampliando o descasamento entre entrada de caixa e serviço da dívida.

Apesar da pressão sobre o perfil de crédito, a agência considera que a liquidez da Cosan permanece adequada.

A expectativa é que, nos próximos 12 meses, as fontes de caixa superem em aproximadamente duas vezes os usos de recursos, apoiadas pela posição de caixa consolidada, pela geração operacional e pelos recursos obtidos com o IPO da Compass.

A holding também não possui vencimentos relevantes de dívida antes de 2028, segundo o relatório.

A perspectiva negativa reflete a possibilidade de um novo rebaixamento caso a Cosan não consiga fortalecer sua estrutura de capital com desinvestimentos ou se a cobertura da dívida permanecer abaixo de 1 vez.

Por outro lado, a S&P poderá revisar a perspectiva para estável se as vendas de ativos simplificarem a estrutura financeira da companhia, reduzirem o peso dos juros e elevarem de forma consistente a capacidade de pagamento da dívida.