StoneX eleva déficit global de açúcar para 2026/27

Consultoria vê escassez de 1,7 milhão de toneladas da commodity, impulsionada por problemas climáticos na europa e ásia

Luciana Franco, da CNN Brasil, São Paulo
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A StoneX revisou as projeções para a oferta mundial de açúcar e para a safra 2026/27 do Centro-Sul do Brasil. A consultoria elevou a estimativa de déficit global da commodity no próximo ciclo para 1,7 milhão de toneladas, diante da piora das perspectivas de produção na Europa, Índia e Tailândia, enquanto projeta uma safra brasileira maior, com crescimento da moagem e produção recorde de etanol.

Na revisão do balanço mundial, a StoneX aumentou o superávit da temporada 2025/26, de 2,3 milhões para 2,94 milhões de toneladas, refletindo os dados finais de produção da China e da União Europeia.

Para 2026/27, no entanto, o cenário muda. A consultoria passou a projetar um déficit de 1,7 milhão de toneladas, em razão de problemas climáticos que podem limitar a oferta nos principais produtores.

Segundo a análise, ondas de calor e tempo seco vêm prejudicando o desenvolvimento das lavouras de beterraba na França e no sul da Alemanha, enquanto a irregularidade das chuvas na Índia e na Tailândia aumenta as preocupações com a próxima safra de cana nesses países.

Mesmo com a expectativa de menor oferta global, a StoneX avalia que o consumo mundial continuará crescendo em ritmo moderado. A demanda está estimada em 194,3 milhões de toneladas em 2026/27, alta de 0,5% sobre o ciclo anterior.

Brasil terá maior moagem, mas menos açúcar que o previsto

Para o Centro-Sul, principal região produtora do país, a consultoria elevou a projeção de moagem para 641,1 milhões de toneladas de cana, crescimento de 4,9% em relação ao ciclo anterior.

A revisão foi motivada principalmente pelo melhor desempenho agrícola observado até agora. O rendimento dos canaviais (TCH) acumulado até maio estava 6,9% acima do registrado na safra passada, alcançando cerca de 85 toneladas por hectare.

Além disso, as chuvas registradas em maio e junho e a expectativa de precipitações mais frequentes ao longo do restante de 2026 reforçaram a perspectiva de uma recuperação da produtividade.

Apesar da maior disponibilidade de matéria-prima, a StoneX reduziu sua estimativa para a produção de açúcar. O mix açucareiro foi revisado para 46,1%, levando a produção projetada para 38,7 milhões de toneladas, uma redução de 1,3 milhão de toneladas em relação à previsão divulgada em maio.

Segundo a consultoria, embora os preços do açúcar estejam mais atrativos no estado de São Paulo, eles ainda não oferecem incentivo suficiente para uma migração ampla das usinas em direção à produção do adoçante ao longo da segunda metade da safra.

Etanol deve atingir novo recorde

Enquanto a produção de açúcar foi revisada para baixo, a expectativa para o etanol continua positiva.

A StoneX projeta uma oferta de 38,8 bilhões de litros, crescimento de 5,1 bilhões de litros, ou 15%, na comparação anual. Se confirmada, será a maior produção de etanol da história do Centro-Sul.

Na avaliação da consultoria, o clima seguirá como principal variável para o desempenho da safra. A influência de um episódio de El Niño mais intenso pode elevar o volume de chuvas no Centro-Sul a partir de setembro, prolongando o período de colheita.

Esse cenário pode favorecer o desenvolvimento dos canaviais, mas também traz desafios operacionais. O excesso de chuva durante a colheita pode dificultar o acesso das máquinas às lavouras e limitar o volume de cana efetivamente processado pelas usinas.

Para o mercado, as revisões indicam um cenário de maior aperto na oferta mundial de açúcar, sustentando os preços internacionais, enquanto o Brasil tende a ampliar sua produção de etanol e manter o papel de principal fornecedor global do biocombustível.