Tarifaço derruba em 39,6% exportações de vinho brasileiro aos EUA

Impacto dos tarifaços de 2025 e 2026 reduzem cerca de US$ 300 mil em exportações do produto brasileiro

Stêvão Limana, da CNN Brasil, São Paulo
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Na contramão da tração que o vinho brasileiro vem ganhando em território internacional, no comparativo entre o primeiro semestre de 2025 e 2026, a exportação da bebida aos Estados Unidos recuou 39,6%, segundo dados da Comex Stat, órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).

Em valores, as vendas passaram de US$ 750,9 mil para US$ 453,9 mil no período, uma redução de aproximadamente US$ 297 mil. O recuo ocorre após a adoção de novas tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, anunciadas ao longo de 2025 e ampliadas neste ano.

O mercado norte-americano é considerado estratégico para as vinícolas nacionais. Além de ser o maior importador de vinhos do mundo, o país reúne consumidores de maior valor agregado e é visto pelo setor como uma vitrine para a consolidação do vinho brasileiro no exterior.

Ao mesmo tempo, especialistas e produtores reconhecem que se trata de um dos mercados mais competitivos, marcado por regras estaduais próprias de comercialização e por uma desaceleração no consumo da bebida.

A Salton afirma que também sentiu os efeitos do novo cenário tarifário. Segundo a empresa, os Estados Unidos já figuraram entre seus principais mercados internacionais e seguem sendo um destino relevante, com presença em grandes redes varejistas, como Total Wine, ABC Liquors e Fogo de Chão.

Diante das restrições comerciais, a vinícola afirma ter acelerado a estratégia de diversificação internacional. A empresa ampliou a atuação em mercados como China, Maldivas, países africanos e, mais recentemente, Filipinas, além de rever rotas logísticas e adotar mecanismos de proteção cambial para preservar a competitividade. Nos últimos seis anos, a Salton informa ter exportado mais de 6 milhões de garrafas.

A Miolo, outra das principais exportadoras brasileiras, avalia que o momento exige cautela. A vinícola destaca que os Estados Unidos continuam sendo o maior mercado importador de vinhos do mundo e com elevado potencial de crescimento, mas afirma que as incertezas provocadas pelas tarifas dificultam o planejamento de longo prazo.

Segundo Lucio Motta, Export Manager da Miolo Wine Group, além da estrutura complexa de distribuição do mercado americano baseada no chamado sistema de “três níveis”, que envolve importadores, distribuidores e varejistas, o setor enfrenta uma retração global no consumo de vinhos. Nesse cenário, o aumento das tarifas obriga a revisão de políticas de preços e gera insegurança para importadores e novos parceiros comerciais.

Motta afirma que a Miolo tem mantido novos investimentos para consolidar a marca no país e iniciou recentemente uma nova parceria de distribuição na Costa Oeste, com expansão prevista para estados como Massachusetts, Nova York, Nova Jersey e Flórida. Porém, o novo tarifaço de Trump em 2026 vai forçar novas negociações.