Tecnologia brasileira reduz custos na produção de aves e suínos

Desenvolvida pela GFS Foods, inovação substitui parte do fosfato da ração por uma molécula orgânica, reduz impactos ambientais e já começa a ser exportada aos Estados Unidos

Andressa Simão, da CNN Brasil, São Paulo
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Uma tecnologia desenvolvida integralmente no Brasil pela GFS Foods está ajudando produtores de aves e suínos a reduzir custos com alimentação animal enquanto torna a produção mais sustentável. A inovação substitui parte do fosfato utilizado nas rações por uma molécula orgânica que aumenta a absorção de cálcio e fósforo pelos animais, diminuindo a necessidade de suplementação mineral e reduzindo a quantidade de fósforo eliminada no meio ambiente.

Segundo o pesquisador e doutor da GFS Foods, Luciano Andriguetto, a tecnologia nasceu para resolver um dos principais desafios da nutrição animal: o alto custo do fósforo, considerado um dos insumos mais caros da formulação de rações.

"Desenvolvemos uma molécula 100% brasileira capaz de aumentar a absorção de cálcio e fósforo pelos animais. Com isso, conseguimos reduzir a inclusão de fosfatos na dieta, diminuir custos de produção e ainda reduzir a excreção de fósforo no meio ambiente", afirma.

O pesquisador explica que o fosfato sofreu forte valorização nos últimos anos devido ao aumento da demanda mundial, impulsionada principalmente pela fabricação de baterias para veículos elétricos, além das dificuldades de oferta da matéria-prima.

"Além da economia, reduzimos a dependência de um insumo cada vez mais caro e escasso. É uma solução que une eficiência produtiva e sustentabilidade", destaca.

A tecnologia começou a ser utilizada comercialmente na produção de ovos e, nos últimos três anos, ganhou espaço na avicultura de corte, especialmente na Região Sul, principal polo produtor de frangos do país. Agora, a empresa também avança para a suinocultura, enquanto realiza estudos para levar a solução à pecuária de corte.

Os resultados obtidos até o momento apontam redução de custos entre R$ 5 e R$ 25 por tonelada de ração, além de ganhos de produtividade, melhora na conversão alimentar, fortalecimento da estrutura óssea das aves e redução de perdas na produção de ovos.

Segundo Andriguetto, a inovação também pode contribuir para atender às crescentes exigências ambientais dos mercados importadores.

"Hoje a sustentabilidade deixou de ser um diferencial e passou a ser uma exigência. Ao reduzir a utilização de fosfato, diminuímos a pegada ambiental da produção e oferecemos aos nossos clientes uma ferramenta importante para fortalecer seus programas de sustentabilidade."

Embora a tecnologia não atue diretamente sobre o uso de antimicrobianos, a empresa afirma que ela pode contribuir indiretamente para esse cenário ao substituir ingredientes como a farinha de carne e ossos, utilizada como fonte de fósforo em parte das formulações. Isso reduz a necessidade desse ingrediente e amplia as alternativas para produtores que buscam atender às exigências de mercados como a União Europeia.

A inovação já está consolidada no mercado brasileiro e inicia uma nova fase de internacionalização. Após conquistar espaço na produção nacional, a tecnologia começou a ser exportada para os Estados Unidos, reforçando o potencial da pesquisa brasileira em um dos maiores polos mundiais de produção de proteína animal.

"O Brasil é um dos maiores produtores de proteína animal do mundo. Desenvolver uma tecnologia nacional que reduz custos, melhora a eficiência da produção e ainda gera benefícios ambientais mostra que também podemos liderar em inovação para o agronegócio", conclui Andriguetto.