Trigo em alta fará preços de pão e massas subirem
Setor vê elevação de valores como inevitável, com reajuste da farinha esperado entre 5% e 10% já em abril

O mercado de trigo no Brasil e no mundo aponta para uma nova rodada de alta de preços, com impactos diretos para o bolso do consumidor final, que vai enfrentar elevações nos valores dos pães, massas e biscoitos. Segundo Luiz Pacheco, analista da T&F Consultoria, a elevação é considerada inevitável por agentes do setor.
Apesar de oscilações recentes no mercado internacional, o cenário estrutural é de pressão altista. O trigo negociado na bolsa Chicago, que serve como referência para os preços globais, saiu de cerca de US$ 5,10 a US$ 5,20 o bushel para US$ 6,20 no início de março, mantendo-se ainda em patamar elevado mesmo após correções.
No Brasil, os preços também mostram firmeza. No Paraná, o trigo já é negociado entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada; no Rio Grande do Sul, há negócios a partir de R$ 1.200 a tonelada, podendo chegar a R$ 1.300 ou mais dependendo da qualidade. O trigo importado do Paraguai gira entre US$ 260 e US$ 270/ a tonelada, entregue no oeste do Paraná Além disso, o custo do trigo importado pode chegar a R$ 1.561 a R$ 1.712 por tonelada, dependendo da origem, reforçando a pressão sobre o mercado interno.
Farinha vai subir já em abril
Conforme Pacheco, a consequência direta é o aumento no preço da farinha, principal insumo da cadeia alimentícia. á consenso no setor de que haverá reajuste já em abril, entre 5% e 10%. A farinha atualmente está na faixa de R$ 1.970 a R$ 2.000 por tonelada.
"Moinhos indicam que, nos níveis atuais de custo, muitas vezes é mais vantajoso vender o trigo do que processá-lo, o que reforça a tendência de repasse ao consumidor", diz o analista.
Por que o trigo vai subir?
O movimento de alta é sustentado por vários fatores simultâneos:
1. Menor oferta
- Entrada da entressafra no Brasil
- Estoques limitados e qualidade escassa
2. Problemas climáticos globais
- Cerca de 55% das lavouras de trigo de inverno nos EUA estão sob seca, bem acima dos 34% do ano anterior
3. Produção mundial menor
- Projeção de 822 milhões de toneladas em 2026/27, abaixo do recorde anterior de 845 milhões
4. Custos elevados
- Alta de insumos, frete e energia
- Fretes já subiram pelo menos 10% em alguns casos
5. Riscos geopolíticos e dólar forte
- Conflitos no Mar Negro e Oriente Médio
- Dólar acima de R$ 5,30 encarece importações
Para o consumidor, o pão francês deve ser o primeiro a subir, seguido por massas e biscoitos.
Além disso, há sinais de que consumidores e indústrias já estão reagindo: alguns compradores anteciparam compras para evitar preços mais altos, enquanto outros passaram a misturar farinhas mais baratas para reduzir custos.


