Trump diz que carne importada dos EUA virá sobretudo de Brasil e Argentina

Presidente elogia qualidade da carne dos dois países e anuncia nova regra de origem para importados

Gabriella Weiss, da CNN Brasil, São Paulo
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (4) que a maior parte da carne bovina importada pelos Estados Unidos para reduzir os preços ao consumidor virá do Brasil e da Argentina. Ao defender a medida, Trump elogiou a qualidade da carne produzida nos dois países e disse que o produto é "muito bom" e "muito limpo".

As declarações foram feitas durante a assinatura de duas ordens executivas voltadas ao setor pecuário americano, conforme noticiado pela CNN.

"A carne está vindo da Argentina, está vindo do Brasil e de alguns outros lugares. Temos nossos inspetores lá. Ela é muito limpa, é muito boa", afirmou Trump na Casa Branca.

Questionado por jornalistas sobre quais países fornecerão carne bovina dentro da medida anunciada na semana passada para conter a alta dos preços, Trump respondeu que, neste momento, os volumes virão principalmente de Brasil e Argentina.

"Pode haver outros países, mas agora são principalmente Argentina e Brasil. Estamos fazendo isso de forma muito limitada porque nossos pecuaristas conseguem atender ao mercado", disse.

Segundo Trump, a importação adicional busca dar um "pouco de ajuda" aos pecuaristas americanos enquanto o rebanho dos Estados Unidos se recupera e, ao mesmo tempo, reduzir o preço da carne para os consumidores.

"Nossos pecuaristas realmente precisavam de um pouco de ajuda e querem ver os preços caírem", disse.

As declarações detalham a medida anunciada pela Casa Branca, que abriu uma cota temporária adicional de 300 mil toneladas de carne bovina magra com tarifa reduzida para abastecer o mercado americano diante da oferta doméstica restrita e dos preços recordes da carne bovina. Até então, o governo não havia informado quais países forneceriam o volume adicional.

Durante o evento, Trump também anunciou uma ordem executiva para ampliar a identificação da origem da carne bovina importada pelos Estados Unidos.

Segundo o presidente, o governo exigirá a rotulagem do país de origem em toda carne bovina estrangeira comercializada no país.

A medida faz parte de um pacote de ações voltado ao setor pecuário americano, que também inclui mudanças nas regras para processamento de carne e ações de apoio aos produtores rurais.

Recuperação do rebanho e processamento

Trump anunciou ainda um programa que permitirá que pecuaristas de pequeno, médio e grande porte processem e vendam carne diretamente aos consumidores, sem depender das grandes empresas de processamento.

"Pela primeira vez, vamos dar aos fazendeiros e pecuaristas o direito de processar sua própria comida"

Segundo o presidente, o objetivo é aumentar a concorrência no mercado de carne bovina e reduzir a dependência dos grandes frigoríficos.

O presidente afirmou que o governo irá simplificar regulamentações sanitárias e de segurança para facilitar o processamento de carne pelos produtores, mantendo inspeções federais.

"Vamos simplificar todas as regulamentações de saúde e segurança para tornar isso fácil e seguro."

Trump também voltou a atribuir ao governo do ex-presidente Joe Biden a redução do rebanho bovino dos Estados Unidos e disse que os pecuaristas americanos estão reconstruindo seus plantéis.

"Os pecuaristas estão aumentando seus rebanhos. Estamos reconstruindo os rebanhos." Segundo ele, a recuperação da produção doméstica permitirá reduzir a necessidade de importações no futuro.