USDA projeta safra mundial de soja em mais de 441 milhões de t em 2026/27
Estimativa aponta produção de 441,5 milhões de toneladas e estoques finais em 124,7 milhões

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos divulgou sua primeira projeção para a safra mundial de soja 2026/27. A estimativa aponta estoques iniciais globais de 125,13 milhões de toneladas, produção de 441,54 milhões de toneladas e estoques finais de 124,78 milhões de toneladas.
Para os Estados Unidos, a previsão é de produção de 120,7 milhões de toneladas, com exportações estimadas em 44,36 milhões de toneladas.
No Brasil, a produção é projetada em 186 milhões de toneladas, enquanto as exportações devem atingir 117,5 milhões de toneladas. Os estoques finais brasileiros são estimados em 37,39 milhões de toneladas.
O apetite chinês pela oleaginosa é esperado com uma importação de 114 milhões de toneladas na temporada 2026/27, enquanto a produção local está estimada em 21 milhões de toneladas. Na Argentina, a projeção indica produção de 50 milhões de toneladas de soja.
Milho
No caso do milho, a estimativa global para o milho em maio é de uma produção que deve se consolidar em 1,2 bilhão de toneladas, queda de 17,3 milhões de toneladas em comparação com o ano anterior, mas ainda assim a segunda maior já registrada.
A previsão é de que o consumo total de milho nos EUA para 2026/27 caia 2% em relação ao ano anterior, devido à redução do consumo interno e das exportações. O consumo para alimentos, sementes e indústria deve se manter estável em 7 bilhões de bushels. O consumo para ração e outros fins deve cair para 6,1 bilhões de bushels, devido à menor oferta e aos preços mais altos.
A participação dos EUA no comércio mundial deve diminuir ligeiramente, mas permanecer acima da média observada nos últimos anos. Em termos absolutos, os EUA continuam sendo o maior exportador de milho por uma ampla margem, apesar do aumento das exportações de países concorrentes como Brasil e Ucrânia.
As exportações mundiais devem totalizar 206,9 milhões de toneladas de milho. Por outro lado, os estoques finais de 277, 5 milhões de toneladas.
Para os Estados Unidos, maior produtor global de milho, a produção estimada é de 406,2 milhões de toneladas, enquanto as exportações totalizam 80 milhões de toneladas na projeção. Por fim, os estoques finais devem chegar a 49,7 milhões de toneladas de milho em território americano.
As maiores reduções na produção são nos Estados Unidos, Argentina, África do Sul, México, Ucrânia e Turquia. Em parte, essas reduções são compensadas por safras maiores projetadas para China, Brasil, Sérvia, Quênia e Rússia.
A previsão para o milho nos EUA em 2026/27 é de reduções na oferta, no consumo total e nos estoques finais, com preços esperados mais altos. A safra de milho está projetada em 16 bilhões de bushels, uma queda de 6% em relação ao ano anterior, devido à redução tanto da área plantada quanto da produtividade.
Dentre os maiores exportadores, a Argentina deve produzir 55 milhões de toneladas e exportar 38 milhões desse total. Por outro lado, segundo as estimativas, o Brasil deve produzir 139 milhões de toneladas e exportar 44 milhões desse total, com estoques finais em 11,3 milhões de toneladas e um consumo doméstico de 65 milhões de toneladas.
O USDA projeta, para a safra 2026/27, redução na oferta global de trigo, leve queda no consumo, retração no comércio internacional e diminuição dos estoques finais em relação ao ciclo 2025/26.
A produção mundial é estimada em 819,1 milhões de toneladas, abaixo das 843,8 milhões registradas na safra anterior.
A redução deve ocorrer entre os principais países exportadores, com destaque para Estados Unidos, União Europeia, Argentina e Austrália.
Trigo
O consumo global de trigo em 2026/27 está projetado em 823,2 milhões de toneladas, ligeiramente inferior ao da temporada anterior. Segundo o USDA, a queda é atribuída principalmente à redução do uso para ração e residual, em meio à menor produção nos principais países produtores.
Em contrapartida, o uso para alimentação, sementes e indústria deve crescer, especialmente na Índia, impulsionado pelo aumento populacional e pela disponibilidade doméstica de trigo destinado ao sistema público de distribuição do governo.
O comércio mundial de trigo deve totalizar 211,7 milhões de toneladas, recuo de 12 milhões de toneladas frente a 2025/26. A expectativa é de menor demanda de importação no Norte da África e no Oriente Médio, diante da recuperação da produção em diversos países dessas regiões.
A Rússia deve permanecer como principal exportadora global, seguida por União Europeia, Canadá, Austrália e Estados Unidos.
Os estoques finais mundiais são estimados em 275 milhões de toneladas, queda de 4,2 milhões de toneladas em relação à safra anterior. A maior redução é prevista para os Estados Unidos.
Nos Estados Unidos, a produção é projetada em 42,49 milhões de toneladas, com exportações de 21,09 milhões de toneladas. A Argentina, principal fornecedora de trigo para o Brasil, deve produzir 21 milhões de toneladas e exportar 14,5 milhões de toneladas.
A produção brasileira é estimada em 6,7 milhões de toneladas, enquanto as importações devem alcançar 7,2 milhões de toneladas. A Rússia deve produzir 86 milhões de toneladas e exportar 47 milhões de toneladas. Já a Ucrânia tem produção estimada em 23 milhões de toneladas.