Usina vê "impacto grande" com menor cota de venda de açúcar aos EUA
A Central Açucareira Santo Antônio, de Alagoas exportava quase 10 mil toneladas de açúcar aos EUA e vai ficar com 6 mil em 2027

A redução da cotas de importação de açúcar pelos EUA para o Brasil gerou surpresa nas usinas dos Nordeste. A Central Açucareira Santo Antônio, de Alagoas, por exemplo, acreditava que a os volumes seriam redistribuídos e não cortados.
A Santo Antônio é uma das usinas do Nordeste que vende açúcar diretamente para os EUA desde os anos 1990.
O diretor comercial do grupo, José Ernesto Maranhão, explica que a cota brasileira era distribuída entre as usinas da região de acordo com a capacidade produtiva de cada uma.
"Trabalhamos com essa cota há anos. Algumas vezes ela ficou, inclusive, maior”, comenta Maranhão à CNN.
Em 2025, a usina exportou 9,7 mil toneladas. Com a nova cota, a empresa acredita que deverá exportar 6 mil toneladas.
“É um impacto muito grande nas contas da usina porque os EUA pagam muito melhor pelo açúcar, cerca de 50% a mais na comparação com outros países. E fora da cota, com tarifas e impostos que protegem a produção local, é completamente impraticável exportar para lá.”
A cota de importação de açúcar é definida pelos EUA com base em compromissos assumidos junto à OMC (Organização Mundial do Comércio). Desde que começaram a vender aos norte-americanos é a primeira vez que José Maranhão vê uma redução tão abrupta no volume exportado.
“Desde julho sabíamos que nossa cota seria reduzida. Achamos que ela seria redistribuída a outras usinas. A surpresa veio ao saber que só o Brasil teve esse corte e que outros países ficarão com as 56 mil toneladas redirecionadas”, diz o diretor comercial.
Já o Grupo Farias, que atua em diversos estados do país com sete usinas, diz que não deve sentir os efeitos da decisão americana. "Não identificamos impacto relevante nas nossas operações neste momento, uma vez que as exportações para os EUA não representam uma parcela significativa do volume comercializado por nós", afirma João Rodrigues de Lima Neto, da área comercial do grupo.
Entretanto, ele afirma que "eventuais efeitos ocorrerão de forma indireta por meio da dinâmica global de oferta e demanda do açúcar".
Segundo apuração de Luciana Franco, a redistribuição de cotas de importação de açúcar para outros países deve gerar um prejuízo estimado em US$ 30 milhões e impactar um setor que gera cerca de 250 mil empregos na região Nordeste, que detém 100% das exportações nesta modalidade.
Segundo Renato Cunha, presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco, a decisão frustra a expectativa dos usineiros, que esperavam renegociar o volume a ser embarcado em 2027.


