Aditivo na alimentação pode reduzir em 50% a emissão de metano na pecuária

Estudo conduzido pela Esalq/USP acompanhou por 120 dias desempenho de animais em confinamento com alimentação suplementada

Juliana Camargo, São Paulo
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O uso de aditivo em ração total mista (TMR, na sigla em inglês) na alimentação de gado nelore pode reduzir em 50,4% as emissões de metano (CH4), gás do efeito estufa, e promover uma melhoria de 5% na eficiência de conversão alimentar, segundo estudo conduzido pela Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz). A pesquisa foi realizada em parceria com o grupo frigorífico Minerva Foods e a Rumin8, empresa australiana de tecnologia climática que desenvolve aditivos alimentares para reduzir as emissões de metano do gado.

Reduzir a emissão de metano, gás do efeito estufa, é um dos principais desafios da pecuária no mundo, uma vez que o gás é gerado principalmente pela fermentação entérica, ou seja, a digestão de bovinos.  

Segundo o Observatório do Clima o metano (CH4) é um gás de efeito estufa que pode impactar o aquecimento do planeta muito mais do que o gás carbônico (CO2). Embora as moléculas tenham vida útil mais curta na atmosfera, entre 10 e 20 anos, o potencial de aquecimento do CH4 é 28 vezes maior que o do CO2 num período de cem anos.

O estudo

Durante 120 dias animais da raça Nelore foram monitorados dentro do sistema produtivo de confinamento, de engorda intensiva, com uso de ração. 

O primeiro grupo, incluiu 80 bovinos alojados em baias individuais para permitir a medição precisa do consumo de ração e das emissões de metano. Eles foram subdivididos em dois grupos: um recebeu a dieta normal e outro recebeu a dieta suplementada com o aditivo.

Um segundo grupo, composto por 200 machos Nelore, recebeu o aditivo em baias coletivas, simulando as operações comerciais na maioria dos confinamento brasileiros.  

Durante o período do estudo, os bovinos foram alimentados com a dieta típica de engorda em confinamento no Brasil:  composta por 12% de volumoso e 88% de concentrado, sendo o milho moído o principal ingrediente.  

O consumo de ração foi monitorado diariamente. E o desempenho produtivo foi avaliado por meio de medições de peso vivo ao longo dos 120 dias do experimento. 

Os animais que receberam o aditivo, misturado à ração, apresentaram 5% de ganho na eficiência de conversão alimentar, em comparação com o gado alimentado com a mesma dieta mas sem o aditivo. Além disso, a intensidade de metano por cada quilo de peso vivo diminuiu de 77,2 g/kg para 39,6 g/kg ao comparar os dois grupos. Assim, estima-se que cerca de 29 toneladas de CO₂ equivalente deixaram de ser emitidas durante o estudo.

Para o CEO da Rumin8, David Messina, este é passo importante para escalar novas tecnologias de redução de gás metano em um dos maiores mercados de produção de carne bovina do mundo. “Os resultados do estudo farão parte do nosso pacote de dados à medida que avançamos para a comercialização no Brasil, que detém o maior rebanho bovino comercial do mundo”, completa Messina.