Anfavea eleva projeção e prevê 3,1 milhões de veículos vendidos em 2026
Entidade também revisou produção para alta de 6,7%, mas exportações devem cair 17,7%; setembro teve o maior volume de emplacamentos desde dezembro de 2014
A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) revisou e elevou, mais uma vez, as projeções de vendas e de produção de veículos para 2026. As exportações, por outro lado, tiveram uma nova revisão negativa. Os números foram divulgados nesta quarta-feira (7), em seu último relatório.
A expectativa da entidade é que o Brasil feche o ano com 3,1 milhões de autoveículos emplacados, patamar que não é alcançado desde 2014. Se confirmada, a marca representará crescimento de 15,2% em relação a 2025, bem acima dos 2,7% previstos no início do ano.
O avanço é puxado pelos segmentos de automóveis e comerciais leves, para os quais a projeção de crescimento passou a ser de 16,4%. Já os veículos pesados, que incluem caminhões e ônibus, devem encerrar o ano com retração de 6,5%.
Montagem importada puxa produção
A projeção de crescimento da produção subiu de 3,7% para 5,8% em julho, e agora para 6,7% sobre 2025. Isso significa um volume superior a 2,8 milhões de autoveículos, o melhor resultado desde 2019.
Setembro teve a melhor produção para o mês desde 2014, com 268,3 mil unidades. Assim, o ano já acumula alta de 8,7% sobre os primeiros nove meses de
2025. Porém, do aumento de 173 mil unidades na comparação com o ano anterior, apenas 50 mil vieram de produção local plena. As outras 123 mil foram de montagem em regime CKD e SKD (veículos total ou parcialmente desmontados), volume maior que o de 60% das fábricas de veículos leves instaladas no país.
Elétricos triplicam e puxam vendas
O mês de setembro registrou o maior número de emplacamentos em um mês desde dezembro de 2014 (281,4 mil unidades) e o principal impulso veio do segmento de automóveis, cujas vendas cresceram 22,5% no ano.
Segundo a Anfavea, 84 mil unidades desse incremento são atribuídas ao programa Carro Sustentável, que reaqueceu o segmento de entrada. Outras 242 mil vieram do crescimento dos eletrificados, especialmente dos elétricos puros, que triplicaram suas vendas no período. No acumulado do ano, os eletrificados responderam por 69% da alta nas vendas e já representam 20,1% de todos os emplacamentos de veículos leves novos.
Os pesados seguem em recuperação lenta, impulsionados pela segunda fase do programa Move Brasil. De janeiro a setembro, as vendas de caminhões recuaram 3,8%, e as de ônibus, 4,4%. Na produção, as quedas foram de 6,4% e 11,2%, respectivamente.
Exportações em queda e déficit comercial
As exportações não dão sinais de recuperação e estão estagnadas, há seis meses, abaixo de 40 mil unidades mensais. No acumulado do ano, foram 334 mil veículos embarcados, queda de 23%. Só para a Argentina, a redução foi de quase 100 mil unidades, reflexo tanto da retração do mercado local quanto da perda de espaço dos modelos brasileiros para os chineses e mexicanos.
Para o fechamento de 2026, a entidade projeta queda de 17,7% nos embarques, resultado do cenário argentino e da maior presença de carros chineses na América do Sul, principal destino dos veículos brasileiros.
Com os embarques em baixa e as importações em alta, a balança comercial do setor registra um déficit expressivo, após muitos anos de superávit. Entraram no país 463,9 mil autoveículos no ano, alta de 30,4%. Os de origem chinesa respondem por 55% desse total e já têm 11,3% do mercado nacional.
"Nuances não tão positivas"
O presidente da Anfavea, Igor Calvet, comemorou o desempenho do mercado interno, mas fez ressalvas.
"Não há como não comemorar resultados tão expressivos do mercado interno, retomando patamares não verificados há mais de uma década. Isso ajuda a impulsionar a produção e os empregos neste momento", afirmou em comunicado oficial. "Mas é preciso ficar atento às nuances não tão positivas desses resultados."
Calvet citou a pressão sobre a balança comercial e o peso dos veículos desmontados na alta da produção. "Boa parte da alta na produção se dá por veículos totalmente desmontados, os chamados SKD, que chegam da China sem utilizar o parque de autopeças nacional e com pouca mão de obra envolvida", disse.

