Confira quais os itens principais para revisar no carro antes de viajar
Mecânico lista os pontos que mais causam problemas na estrada e explica por que a revisão não deve ser deixada para a véspera da saída

Com a proximidade de um feriado prolongado e do período de férias, milhares de motoristas se preparam para pegar a estrada em viagens que podem durar várias horas, muitas vezes com o veículo carregado além do habitual.
Nessas condições, itens que passam despercebidos no uso diário da cidade podem se transformar em problemas sérios ao longo do trajeto. Para orientar quem vai viajar de carro, a CNN Brasil conversou com Sergio Santos, mecânico e proprietário da oficina SR Motors. O profissional destacou os principais pontos de atenção antes de sair de casa.
Segundo o mecânico, o erro mais comum é confundir a ausência de sintomas com a ausência de problemas. Pneus, freios, suspensão, óleo e fluidos, sistema de arrefecimento, bateria, iluminação e limpadores de para-brisa formam a lista básica de itens que merecem revisão antes de qualquer viagem longa.
"Não é porque o carro está andando normalmente que está tudo em ordem. Um componente já pode estar desgastado sem que o motorista perceba no trânsito da cidade, e que esse desgaste tende a se manifestar justamente quando o carro roda por muitas horas seguidas e com peso extra", explica.
Antecedência ideal para levar o carro à oficina
Um dos pontos que o profissional reforça é o tempo de antecedência necessário para a revisão. Deixar a verificação para a véspera da viagem, segundo ele, é um risco desnecessário, já que qualquer problema identificado em cima da hora pode não ter tempo de ser corrigido.
"O ideal é levar o carro para uma avaliação pelo menos uma semana antes. Dessa forma, caso surja algum reparo necessário, ainda é possível realizar o serviço com calma e testar o veículo antes da saída. Se a manutenção periódica já estiver próxima da data prevista, o conselho é antecipá-la em vez de aguardar o retorno da viagem, sem contar com a sorte para chegar ao destino", sugere.
Pneus, calibragem e estepe
A avaliação dos pneus deve começar por uma inspeção visual, observando desgaste irregular, cortes, bolhas ou qualquer dano aparente, além da profundidade dos sulcos.
A calibragem é outro ponto sensível, porque a pressão recomendada pelo fabricante pode mudar quando o veículo está carregado para a viagem. Segundo Sérgio, "a pressão correta é a indicada pelo fabricante do veículo, informação que consta no manual do proprietário ou em uma etiqueta afixada na coluna da porta do motorista, e que deve ser conferida com os pneus ainda frios".
O mecânico também explica que o estepe entra na mesma lógica: não basta ele estar no porta-malas, é preciso que esteja calibrado e em condições de uso, assim como o macaco e a chave de roda. "Não adianta ter estepe no carro se ele estiver sem condição de uso. O motorista deve se imaginar se conseguiria trocar um pneu com segurança no acostamento".
Freios e suspensão exigem atenção redobrada
Entre os itens de segurança, os freios ocupam lugar central na lista de verificação. Ruído metálico, vibração no pedal ou no volante, pedal muito baixo ou muito duro, o carro puxando para um dos lados ou uma distância maior para parar são sinais de que uma oficina precisa ser procurada antes da viagem.
Pastilhas, discos, tambores, lonas e fluido de freio devem passar por inspeção específica, e qualquer luz de advertência acesa no painel não deve ser ignorada. "Freio é um item que não dá para deixar para depois. O desempenho correto do sistema envolve diretamente a segurança dos ocupantes do carro e de quem está ao redor na via", alerta.
Óleo, fluidos e sistema de arrefecimento
A checagem também deve incluir o nível do óleo do motor e o prazo ou a quilometragem prevista para a próxima troca, além do fluido de freio, do líquido de arrefecimento e dos demais fluidos indicados para o modelo do veículo.
Qualquer sinal de vazamento ou queda frequente do nível do líquido de arrefecimento precisa ser investigado antes da viagem. O especialista recomenda que o motorista conheça as luzes do painel, já que é por meio delas que o carro sinaliza qualquer anomalia nos sistemas.
Um cuidado específico envolve o reservatório do sistema de arrefecimento: como ele trabalha pressurizado, a orientação é de que nunca se abra o reservatório do sistema de arrefecimento com o motor quente, já que o procedimento pode causar queimaduras sérias.
Bateria, velas e sistema elétrico
A bateria merece atenção especial quando já tem alguns anos de uso, principalmente se o carro apresenta dificuldade para dar partida, sinal de que algum componente do sistema elétrico precisa ser avaliado.
Os terminais e cabos da bateria, assim como o sistema de carga, também entram na checagem. Nos veículos equipados com velas de ignição, o prazo de troca recomendado pelo fabricante deve ser respeitado. Falhas na partida, funcionamento irregular do motor ou qualquer luz de advertência acesa no painel são, segundo Sérgio, indícios de que o carro não deve pegar a estrada sem passar por uma avaliação prévia.
Iluminação, ar-condicionado e limpadores de para-brisa
A lista de verificação inclui ainda todos os pontos de iluminação do veículo: faróis alto e baixo, lanternas, luzes de freio, setas, luz de ré e iluminação da placa. Uma lâmpada queimada pode parecer um detalhe menor, mas ganha peso à noite ou em situações de chuva e baixa visibilidade, tanto para o motorista enxergar quanto para ser visto pelos demais veículos e conseguir sinalizar suas intenções corretamente.
O ar-condicionado, por sua vez, deve estar funcionando bem, especialmente em viagens longas e dias de calor intenso, permitindo manter os vidros fechados sem comprometer a visibilidade.
Os limpadores de para-brisa também exigem atenção: palhetas ressecadas ou desgastadas comprometem a limpeza do vidro justamente no momento em que mais são necessárias, o que reforça a importância de checar também o reservatório do lavador antes de uma viagem em período de chuva.
Documentação e itens obrigatórios antes de sair
Além da parte mecânica, Sérgio chama atenção para a documentação do veículo. IPVA, licenciamento e seguro obrigatório precisam estar em dia, assim como a validade da habilitação do motorista. Os equipamentos obrigatórios, como triângulo, macaco e chave de roda, também devem ser conferidos conforme o veículo e a legislação vigente.
Como recomendação extra, que não é exatamente manutenção, mas pode fazer diferença em uma emergência, o mecânico sugere manter à mão os contatos do seguro e da assistência 24 horas. "Estar preparado evita muita dor de cabeça. Ninguém espera precisar desses serviços, mas a preparação prévia reduz o impacto de qualquer imprevisto na estrada", finaliza.


