Crise energética deve afetar produção de carros alemães para o exterior, diz associação

Produtividade deve cair mais de 8% no segundo semestre de 2022, segundo dados da Associação da Indústria Automotiva da Alemanha

Lucas Janone, da CNN, em Berlim
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Um levantamento feito pela Associação da Indústria Automotiva da Alemanha (VDA), a pedido da CNN, mostra que a produção de carros alemães para o exterior deve encolher mais de 8% no segundo semestre de 2022.

Na prática, o número de veículos comercializados para outros países deve cair de 9,5 milhões para 8,7 milhões nos próximos meses do ano.

A análise da VDA também mostra uma queda na produção para o mercado interno. Ao todo, a expectativa é que 3,3 milhões de automóveis sejam produzidos para o consumo dos próprios alemães ainda em 2022, valor 2% menor do que o projetado no início do ano.

De acordo com a associação, a menor produção de veículos está atrelada à crise energética da Alemanha, causada pelas sanções russas ao gás natural - em resposta ao apoio alemão à Ucrânia durante a guerra no leste europeu.

“Os principais fornecedores nacionais e internacionais do setor automotivo fazem parte das indústrias que mais consumem gás na Alemanha e no mundo. É importante que a Alemanha continue a trabalhar em conjunto para reduzir a sua dependência do gás russo. A indústria automóvel está consciente da sua responsabilidade social e está determinada a dar o seu contributo para a redução do consumo de gás”, destaca um trecho do comunicado da VDA para a CNN.

A frota dos caminhões alemães será a mais impactada com a medida, segundo a VDA, já que esses veículos possuem as cadeias produtivas mais dependentes do gás natural russo.

Para Christiano Arrigoni, pesquisador e professor de economia do Ibmec, a medida pode gerar uma alta no preço dos automóveis no mundo. Isso porque ele aponta a indústria automobilística como um oligopólio, onde poucas empresas detêm grande parcela do mercado.

Atualmente, a Alemanha responde por uma grande parcela do setor automobilístico do mundo. O país é a sede de empresas como Porsche, BMW, Mercedes-Benz e Audi.

“Nesse setor, nós podemos ver claramente uma criação de oligopólio, tendo a Alemanha uma grande força na manutenção desse mercado. Vai diminuir a produção, de forma nacional e internacional. Se não houver recuo de demanda por carros, então é possível que o preço aumente dos produtos alemães. Podemos presenciar isso no Brasil, país dependente desses automóveis”, disse o professor do Ibmec.