Ferrari 550 Maranello: conheça o carro de Michael Jordan que vai a leilão

Com V12 de 485 cv, câmbio manual e adaptações para a altura do astro, o modelo de 1997 reaparece após 24 anos e pode ultrapassar US$ 1 milhão

Alexandre Zerbinato, colaboração para a CNN Brasil
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A Ferrari 550 Maranello, que pertenceu ao jogador de basquete Michael Jordan, vai a leilão pela primeira vez em mais de duas décadas. Resgatado após 24 anos longe dos holofotes, o superesportivo traz um histórico único ligado aos títulos do Chicago Bulls na NBA e personalizações exclusivas de fábrica para a altura do astro. Confira abaixo todos os detalhes, a trajetória histórica e as especificações técnicas do lendário V12 italiano.

Na noite de 13 de junho de 1997, minutos após conquistar seu quinto título da NBA pelo Chicago Bulls no United Center, Michael Jordan deixou o ginásio ao volante de uma novíssima Ferrari 550 Maranello na cor Rosso Barchetta. Com um charuto na boca, o troféu no banco do passageiro e a placa personalizada "MJ 5", a cena eternizou um dos momentos mais marcantes da cultura pop e do automobilismo dos anos 1990.

Após ser vendida por Jordan em 2002, a unidade (chassis 108712) desapareceu por quase um quarto de século. Em 2026, após 24 anos longe dos olhos do público, o carro foi localizado e trazido de volta à cena. Mas, mais do que uma relíquia esportiva, a 550 Maranello é um marco fundamental na história da própria casa de Maranello.

O resgate da tradição dos V12 dianteiros

Lançada no festival de Nürburgring em julho de 1996, com apresentações de pista feitas por Michael Schumacher e Eddie Irvine, a 550 Maranello encerrou um jejum de 23 anos da Ferrari sem um gran turismo de dois lugares com motor V12 dianteiro como topo de linha da gama regular, linhagem antes consagrada pela icônica 365 GTB/4 Daytona.

Desenvolvida sobre uma evolução da plataforma da 456 GT, a 550 usava chassis tubular de aço com entre-eixos reduzido para 2,5 metros. Sua carroceria de alumínio leve era fixada à estrutura por meio do Feran, um material sanduíche patenteado que permitia a soldagem entre aço e alumínio.

O desenho assinado pela Pininfarina equilibrava agressividade e elegância. A grande tomada de ar dianteira dava ao cupê um aspecto "tubarão", enquanto as saídas de ar duplas nos para-lamas dianteiros remetiam às clássicas 250 GTO e 275 GTB. A eficiência aerodinâmica era exemplar para a época: coeficiente de arrasto de apenas 0,33 e downforce constante em ambos os eixos sem a necessidade de aerofólios extravagantes.

Mecânica de corrida em corpo de gran turismo

Sob o longo capô repousava o motor Tipo F133A, um V12 aspirado de 5,5 litros a 65°, com bielas de titânio, camisas de cilindro com tratamento Nicasil, lubrificação por cárter seco e gerenciamento Bosch Motronic 5.2.

  • Potência: 485 cv a 7.000 rpm;

  • Torque: 58 kgfm;

  • Câmbio: manual de 6 marchas com a tradicional grelha metálica;

  • Desempenho: 0 a 100 km/h em 4,4 segundos e velocidade máxima de 320 km/h.

Mesmo entregando desempenho próximo ao da radical F40 de anos antes, a Maranello oferecia um interior refinado com acabamento em couro, ar-condicionado, ajuste elétrico e ampla área para bagagens. A eletrônica também estreava recursos avançados: amortecedores adaptativos com modos Normal e Sport, direção Servotronic sensível à velocidade e sistema de controle de tração ASR integrado aos freios ABS com pinças de quatro pistões.

O conjunto provou sua excelência em 12 de outubro de 1998, na pista de teste de Marysville (EUA), quando uma 550 estabeleceu o recorde mundial de velocidade para carros de produção ao percorrer 100 km à média de 304,1 km/h.

A unidade e a customização

A Ferrari de Michael Jordan foi entregue em 29 de maio de 1997 pela concessionária Foreign Cars Italia. Por conta da altura do astro do basquete (1,98 m), a fábrica fez uma adaptação especial sob medida: estendeu os trilhos do assento do motorista e reduziu o espessamento do estofamento para permitir uma posição de dirigir mais recuada.

A influência do carro na vida de Jordan foi tamanha que o designer Tinker Hatfield se inspirou na unidade para criar o tênis Air Jordan XIV, utilizando couro acolchoado no painel lateral do calçado, detalhes que remetem às tomadas de ar do carro e um logotipo do "Jumpman" no formato do escudo do Cavallino Rampante.

Jordan rodou cerca de 10.300 km com o modelo no uso diário para treinos e jogos do Chicago Bulls. O hodômetro atual registra 18.501 milhas (29.774 km) originais.

Sobre o leilão

Depois de ser vendida por Jordan, a Ferrari passou duas décadas guardada na coleção privada de um proprietário na Califórnia. O especialista John Temerian conseguiu rastrear o número de chassi em registros antigos de concessionárias e arrematou o veículo, trazendo-o de volta à tona.

Agora, o lendário chassi 108712 vai a leilão por meio da Joopiter, plataforma de itens colecionáveis fundada pelo cantor e produtor Pharrell Williams. É a primeira vez que a casa organiza a venda de um automóvel.

Como parâmetro de mercado, um exemplar comum da 550 Maranello de 1998, com baixíssima rodagem, estabeleceu recentemente o recorde de venda da versão por US$ 650.000 (cerca de R$ 3,6 milhões). No entanto, por se tratar do carro pessoal do maior nome da história do basquete, acompanhado do cartão de garantia original assinado por Jordan, manual e documentação histórica, especialistas estimam que os lances superem com facilidade a barreira do milhão de dólares.