Free-Flow: entenda as diferentes formas de pagamento do pedágio eletrônico

Diferenças entre usar tag automática ou pagamento avulso, regras de prazos e como garantir até 90% de desconto na tarifa

Alexandre Zerbinato, colaboração para a CNN Brasil
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O sistema de pedágio sem cancelas, conhecido internacionalmente como free-flow, está em expansão pelas rodovias brasileiras. Ao substituir as tradicionais barreiras físicas e cabines de cobrança por pórticos com sensores de alta tecnologia, o modelo promete mais fluidez ao trânsito e viagens mais rápidas.

No entanto, a mudança exige atenção dos motoristas quanto às formas de pagamento para evitar surpresas e multas pesadas. Abaixo, explicamos em detalhes como o sistema funciona e qual a melhor alternativa para o seu bolso e rotina.

Como funciona o free-flow?

Ao passar por um pórtico instalado na rodovia, o veículo é identificado de duas formas pelos sensores suspensos:

  1. Por radiofrequência (RFID): Sensores fazem a leitura do adesivo (tag) colado no para-brisa do veículo.

  2. Por imagem (OCR): Câmeras de alta definição fotografam as placas dianteira e traseira do carro para identificar o veículo em sistemas que não detectarem tags ativas.

A escolha de como pagar o pedágio eletrônico interfere diretamente na praticidade, no risco de multas e no preço final da tarifa. Veja as principais diferenças:

Com Tag (Sem Parar, Veloe, ConectCar, etc.)

  • Como funciona: Pagamento automático via leitura do adesivo no para-brisa;
  • Ação do motorista: Nenhuma (débito em conta ou cartão cadastrado);
  • Prazo de pagamento: Conforme o ciclo de faturamento do seu plano;
  • Elegibilidade a descontos: Sim (descontos de 5% a mais de 90%);
  • Risco de multa: Mínimo (apenas se a tag estiver inativa ou sem saldo).

Sem Tag (pagamento avulso)

  • Como funciona: Pagamento manual via site, app ou totens da concessionária;
  • Ação do motorista: Acessar canais digitais, consultar a placa e pagar;
  • Prazo de pagamento: Até 30 dias após a passagem pelo pórtico;
  • Elegibilidade a descontos: Não (paga sempre o valor integral da tarifa);
  • Risco de multa: Alto (risco de esquecimento do prazo de 30 dias).

Para quem opta por não ter uma tag instalada no para-brisa, o pagamento exige uma certa iniciativa e organização. O condutor precisa monitorar suas passagens e acessar ativamente os canais oficiais da concessionária da via para quitar os débitos.

Multas e Penalidades

Passado o prazo legal de 30 dias para a quitação avulsa da tarifa, o não pagamento é configurado como evasão de pedágio (Art. 209-A do Código de Trânsito Brasileiro). Trata-se de uma infração grave que acarreta:

  • Multa no valor de R$ 195,23;

  • Acréscimo de 5 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Embora o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) adote, em determinados momentos e trechos, suspensões temporárias na aplicação de multas para facilitar a adaptação do público, isso não isenta o pagamento da tarifa. Os débitos continuam acumulados e precisam ser quitados nos canais oficiais para evitar cobranças judiciais e restrições futuras.

Descontos exclusivos para usuários de Tag

Para incentivar o uso da cobrança automática e reduzir a inadimplência, as regras de concessão das rodovias brasileiras oferecem benefícios financeiros exclusivos para quem utiliza tag ativa:

  • Desconto Básico de Tarifa (DBT): Redução fixa de 5% em cada passagem para qualquer veículo equipado com tag.

  • Desconto de Usuário Frequente (DUF): Desconto progressivo voltado a motoristas que realizam o mesmo trajeto várias vezes dentro do mesmo mês (muito comum para quem mora em uma cidade e trabalha em outra). Dependendo da rodovia e do número de passagens, o desconto acumulado na mensalidade pode superar 90%.