Gasolina E32 começa este sábado (1º): o que você precisa saber
Mistura obrigatória de etanol sobe de 30% para 32% com objetivo de reduzir importações de gasolina

Motoristas brasileiros devem ficar atentos: a partir deste sábado (1º de agosto), a gasolina comercializada passará a contar com uma nova composição. A decisão foi tomada em 14 de julho pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que aprovou o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro de 30% para 32%, criando a chamada gasolina E32. A medida terá validade "inicial" de 180 dias, podendo ser prorrogada pelo mesmo período.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, a decisão faz parte da estratégia de "reduzir a dependência da gasolina importada em um momento de instabilidade no mercado internacional de petróleo". A expectativa é diminuir a necessidade de importação em aproximadamente 900 milhões de litros por ano, além de ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética nacional e reduzir as emissões de gases de efeito estufa. No entanto, será o cidadão comum, proprietário de um veículo automotor, que vai pagar essa conta.
A mudança foi viabilizada pela Lei do Combustível do Futuro, sancionada em 2024, que ampliou a faixa permitida para a mistura obrigatória de etanol na gasolina de um intervalo entre 22% e 27% para uma margem de 22% a 35%. Dessa forma, o E32 representa mais uma etapa da política de incentivo aos combustíveis renováveis.
Antes da aprovação, a nova composição passou por avaliações técnicas coordenadas pelo Ministério de Minas e Energia e conduzidas pelo Instituto Mauá de Tecnologia. Os ensaios envolveram veículos flex e também modelos movidos exclusivamente a gasolina. Com base nesse estudo, o governo insiste que a mudança não provocará grandes efeitos para os carros, sobretudo os flex. O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com ação para tentar suspender a nova gasolina.

Na prática, os automóveis produzidos e homologados para o mercado brasileiro, especialmente os modelos mais recentes, já foram desenvolvidos para operar com elevados percentuais de etanol. Isso significa que a maior parte dos motoristas dificilmente perceberá diferenças no funcionamento diário. No entanto, óbvio, o carro vai consumir mais. E os modelos mais antigos, somente a gasolina, podem sofrer danos.
O que muda nos carros com a gasolina E32?
Embora o funcionamento do motor não deva sofrer mudanças relevantes, existe a possibilidade de um pequeno aumento no consumo de combustível. De acordo com Jorge Moraes, colunista de Auto da CNN Brasil, isso ocorre porque o etanol possui menor densidade energética em relação à gasolina, exigindo um volume ligeiramente maior para produzir a mesma quantidade de energia.
Por outro lado, o etanol apresenta elevada octanagem, característica que reduz a tendência à detonação do combustível. Em motores modernos, principalmente os turbo e de alta eficiência, os sistemas eletrônicos conseguem ajustar automaticamente parâmetros como ignição e injeção, mantendo o desempenho dentro dos padrões previstos pelos fabricantes.

Veículos antigos exigem maior atenção
Jorge ainda reforça que os principais cuidados ficam concentrados nos veículos mais antigos ou em alguns modelos importados desenvolvidos para mercados onde a gasolina possui menor teor de etanol. Nesses casos, componentes como mangueiras, vedações e peças de borracha podem apresentar desgaste mais acelerado caso não tenham sido projetados para trabalhar com concentrações elevadas do biocombustível. Ainda assim, especialistas destacam que o impacto tende a ocorrer apenas em automóveis de gerações mais antigas.
O governo também confirmou que o Comitê Técnico Permanente do Combustível do Futuro continua avaliando misturas com participação ainda maior de etanol, incluindo o E35, percentual já permitido pela legislação, mas que ainda depende de novos estudos antes de uma eventual implementação.
Enquanto isso, diversas fabricantes já desenvolvem veículos preparados para essas futuras mudanças. Montadoras como BYD, GWM, GAC e Omoda & Jaecoo, por exemplo, já trabalham com calibrações específicas para o combustível brasileiro e aceleram o desenvolvimento de modelos híbridos flex.
Para o consumidor, a principal recomendação permanece a mesma: abastecer em postos de confiança, seguir o plano de manutenção do veículo e utilizar combustíveis dentro das especificações indicadas pelo fabricante. Proprietários de carros mais antigos devem ter ainda mais atenção com a manutenção.


