Geração 50+: cresce taxa de mulheres que buscam autonomia sobre seus carros

Censo do IBGE de 2022 já mostra mudança, apontando que 49,1% dos lares brasileiros tinham mulheres como responsáveis

Luiza Zequim, da CNN Brasil*
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Nos últimos anos, houve um crescimento expressivo na participação de mulheres buscando conhecer o universo automotivo. O aumento é resultado da ampliação de oficinas sobre o assunto e da obtenção de uma parcela grande do público feminino que optou por tirar a carteira de motorista.

Para além de um avanço coletivo, a alteração também mostrou que mulheres da geração 50+ são as mais ativas no campo dos veículos, buscando garantir autonomia com os automóveis e entender os mecanismos por trás de cada modelo.

Em entrevista à CNN Brasil, Vittória Gabriela, fundadora da iniciativa "Dona do Meu Destino", voltada à educação automotiva feminina, comenta sobre as transformações no meio. Em sua visão como profissional do ramo, Vittória acredita que essa evolução "não é isolada e já ultrapassou as grandes cidades".

"Hoje existem mais referências femininas falando sobre carros, e isso faz diferença. Quando uma mulher ocupa esse espaço, ela acaba mostrando para outras que elas também podem entrar. A própria indústria tem dado mais atenção ao tema. São movimentos que vêm acontecendo de diferentes frentes", afirma.

Um levantamento recente da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), com base em dados da Senatran e do último Censo Demográfico, chegou a apontar que o Brasil possui 5,6 milhões de mulheres habilitadas entre 51 e 70 anos.

Apesar de o dado significativo tratar de mulheres mais velhas, Vittória apontou que grande parte do público feminino que começa a se envolver com a iniciativa está na faixa de 24 e 34 anos, fator que inspira as gerações mais novas a dar seguimento à ação.

"Muitas delas começam a se interessar pelo tema quando o carro passa a fazer parte da rotina. Aparecem os primeiros problemas, as primeiras dúvidas, e elas percebem que entender um pouco mais sobre mecânica faz diferença no dia a dia. A partir daí, esse interesse acaba crescendo", conta.

Liderança feminina no universo automotivo

Compartilhando sua experiência pessoal, Vittória reforçou que a parte mais difícil de trabalhar com carros foi adentrar o universo automobilístico e sentir a necessidade de "ter que se provar" o tempo todo.

"Quando entrei no curso de mecânica da Escola do Mecânico, em Goiânia, em 2022, eu era a única mulher de toda a escola. No ano seguinte, no curso técnico de Mecânica do Senai, a história se repetiu. Em salas com cerca de 40 alunos, eu continuava sendo a única mulher. Isso intimidava", diz.

Para além de uma mudança isolada, a transformação também tem afetado outros âmbitos do cotidiano feminino. No relatório divulgado pelo Censo 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), estudos já mostravam que 49,1% dos lares brasileiros tinham mulheres como responsáveis. Em comparação à 2010, esse percentual era de 38,7%.

Apesar dos avanços, Vittória confessa que ainda pode haver certa "possessividade" na recepção de novas mulheres interessadas no assunto.

"Tem mulheres que acabam sendo mais territorialistas ou inseguras e nem sempre recebem bem quem está chegando. Mas também vejo muitas fazendo exatamente o contrário: abrindo espaço, compartilhando conhecimento e ajudando outras mulheres a crescer", compartilha.

*Sob supervisão de Flávio Ismerim, da CNN Brasil