INMETRO, WLTP e EPA: entenda as métricas de autonomia dos elétricos
Método brasileiro reduz em 30% os resultados de testes globais para evitar decepção do consumidor

Você já notou que um mesmo carro elétrico pode anunciar 500 km de autonomia na Europa, mas apenas 350 km no Brasil? E já percebeu que, logo após uma declaração oficial de autonomia, alguma dessas siglas aparece: WLTP, EPA ou INMETRO?
Essa discrepância de autonomia não é um erro de cálculo ou piores condições do asfalto nacional, mas sim o resultado de diferentes metodologias de teste, no que consistem as siglas mencionadas acima. Aqui vão algumas das maiores diferenças presentes em cada métrica:
WLTP
O Worldwide Harmonised Light Vehicles Test Procedure (WLTP) é o padrão utilizado na Europa e o mais aceito globalmente. Ele surgiu para substituir o datado NEDC, que teve sua última atualização em 1997, trazendo simulações de cidade e estrada.
Como é feito
O teste dura cerca de 30 minutos e percorre 23 km em um dinamômetro, com velocidade média de 46,5 km/h; máxima de 131 km/h; 52% simula o ambiente urbano e 48% de estrada. Embora seja uma evolução do antigo NEDS, o WLTP ainda é considerado bastante otimista. No mundo real, é comum que a autonomia seja 10% a 15% menor do que o número WLTP, especialmente se muitos recursos eletrônicos forem utilizados, como ar-condicionado ou aquecedores de banco.
EPA
A Environmental Protection Agency, ou EPA, é a agência que regula os testes nos Estados Unidos, famosa por ter "a métrica mais rigorosa do mundo".
Como é feito
O teste também é feito em dinamômetro, porém um grande diferencial é o sistema HVAC, que testa configurações diferentes de aquecimento, ventilação e ar-condicionado em 5 cenários simulados diferentes:
- Teste urbano — sem funcionamento de aquecimento, ventilação ou ar-condicionado (HVAC).
- Teste em rodovia — sem operação do sistema de climatização (HVAC).
- Teste de alta velocidade — sem operação do sistema de climatização.
- Teste quente a 35°C — sistema de climatização configurado para resfriar a cabine.
- Teste frio a -7°C — sistema de climatização configurado para aquecimento e degelo.
INMETRO
O Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) do Inmetro adotou uma postura conservadora para evitar que o consumidor brasileiro fosse induzido ao erro, seguindo um código de ética próprio e não regular em outros testes.
Como é feito
O Inmetro utiliza o ciclo de testes da EPA ou o WLTP como base, mas aplica um fator de correção fixo de 0,7 (redução de 30%) sobre o resultado, tornando o número do Inmetro obrigatoriamente mais baixo que os outros. O objetivo é garantir que, mesmo no pior cenário com trânsito pesado, subidas e utilização de todos os recursos eletrônicos no máximo, o carro entregue o que promete. Na prática, muitos motoristas brasileiros conseguem superar a autonomia divulgada pelo INMETRO, tornando muito difícil que o consumidor se decepcione na compra.
Comparação
Para visualizar a diferença, veja como um SUV elétrico médio, com bateria de 75 kWh, costuma ser classificado:
| Padrão de Teste | Autonomia Est. | Perfil do Teste |
| CLTC (China) | 600 km | baixas velocidades e pouca variedade de simulações |
| WLTP (Europa) | 500 km | maior variedade; não considera recursos eletrônicos |
| EPA (EUA) | 420 km | maior variedade e considera recursos eletrônicos (HVAC) |
| INMETRO (Brasil) | 350 km | aplica um fator de correção de 0,7 em cima dos testes globais |
Qual é a melhor?
Na prática, os três métodos funcionam, porém com suas particularidades bastante evidentes. Se o objetivo é não se decepcionar, os valores divulgados pelo INMETRO são favoráveis. Porém, se o objetivo é considerar o resultado nativo obtido nos testes, o WLTP e o EPA são perfeitamente consideráveis. O importante é não comparar um valor divulgado por um com um valor divulgado por outro.


