Porsche vende fatia da francesa Bugatti por 1 bilhão de euros
Consórcio liderado por gigante de private equity assume a fatia da alemã, oficializando a saída da francesa do Grupo VW

A Porsche concluiu, nesta quarta-feira (9), a venda de suas participações na Bugatti Rimac e no Grupo Rimac para um consórcio de investidores liderado pela HOF Capital, oficializando a saída da marca francesa do Grupo VW.
A transação rendeu cerca de 1 bilhão de euros (cerca de R$ 5,93 bilhões) para a fabricante alemã, que alocará 250 milhões de euros (R$ 1,48 bilhão) para reforçar obrigações previdenciárias de seus funcionários. O movimento eleva a projeção de margem de fluxo de caixa líquido automotivo da empresa em 2026 para o patamar entre 5,5% e 7,5%.
Com a conclusão do negócio, o Grupo Rimac mantém o controle acionário majoritário de 55% da Bugatti Rimac. A fatia negociada pela Porsche incluía 45% da joint venture Bugatti Rimac e 21% do próprio Grupo Rimac. O grupo comprador inclui a BlueFive Capital como principal investidora, ao lado de instituições financeiras dos Estados Unidos e da Europa.
Aliança estratégica e o longo prazo
Ao comentar a transição acionária, o fundador e presidente do Grupo Rimac e CEO da Bugatti Rimac, Mate Rimac, destacou a trajetória sob o guarda-chuva da montadora alemã. "A Porsche foi uma parceira muito valiosa durante todos estes anos, permitindo-nos construir bases sólidas para o futuro da marca."
O executivo também enfatizou a importância do novo ciclo para o grupo. "Este é um passo importante para a Bugatti Rimac e todo o Grupo Rimac. Estou encantado que a HOF Capital e seu consórcio estejam se tornando nossos parceiros na próxima fase de desenvolvimento do nosso grupo, e estou ansioso para trabalharmos juntos no objetivo de realizar todo o potencial de nossas empresas."
Reestruturação na diretoria da Bugatti
A reorganização societária vem acompanhada de mudanças na gestão direta. O executivo Christophe Piochon deixa a presidência da Bugatti Automobiles e o cargo de diretor de operações da Bugatti Rimac. Mate Rimac assume pessoalmente a presidência da Bugatti Automobiles, enquanto Marko Brkljačić, ex-diretor de operações da Rimac Technology, passa a ocupar o posto de diretor de operações da Bugatti Rimac.
A reestruturação prevê ainda a nomeação de Hendrik Malinowski como diretor comercial da marca.
As nomeações ocorrem em um momento estratégico para a empresa, marcado pela inauguração da nova unidade produtiva La Manufacture, em Molsheim, ocorrida em julho, e pela fase final dos testes de rodagem do hipercarro híbrido Tourbillon.
A Bugatti no Grupo VW
A trajetória da Bugatti no Grupo Volkswagen durou mais de duas décadas, transformando a lendária marca francesa na vitrine de engenharia extrema do conglomerado alemão e criando o conceito moderno de hipercarro.
Em 1998, impulsionado pelo lendário presidente do conselho da VW, Ferdinand Piëch (1937-2019), o grupo comprou os direitos da marca Bugatti. O objetivo de Piëch não era o volume de vendas ou o lucro imediato, mas construir o automóvel definitivo para demonstrar a supremacia técnica da engenharia alemã e apresentar uma vitrine e tanto para o grupo automotivo.
O grupo reergueu a sede da marca em Molsheim, na França, e enfrentou anos de intensos desafios técnicos para refrigerar e estabilizar o inédito motor W16 de 8.0 litros com quatro turbos. Em 2005, nasceu o Bugatti Veyron, quebrando a barreira dos 1.001 cv e ultrapassando os 400 km/h. Apesar de ser um sucesso de imagem imensurável, o Grupo VW perdeu milhões de euros em cada unidade vendida devido aos altíssimos custos de desenvolvimento.
Com a chegada do Bugatti Chiron em 2016, com seus 1500 cv, a VW refinou o projeto para torná-lo financeiramente viável. Sob a gestão de Stephan Winkelmann, atual presidente da Lamborghini, a Bugatti diversificou sua linha com modelos derivados ultralimitados e de altíssimo valor agregado, como o Divo, o Centodieci e o exclusivo La Voiture Noire, transformando a operação em uma divisão altamente lucrativa.
Conforme a indústria automotiva voltou suas atenções para a eletrificação e o Grupo VW concentrou recursos em plataformas globais de grande volume, a estratégia para a Bugatti mudou:
Em 2021, o grupo uniu a Bugatti à empresa croata de tecnologia de hipercarros elétricos Rimac, criando a Bugatti Rimac. O controle majoritário de 55% ficou com o Grupo Rimac, enquanto a Porsche (do Grupo VW) manteve 45% -- até esta quarta, quando houve a venda.


