São Paulo e Rio terão vetiportos para carros voadores; saiba onde

Projetos em aeroportos preparam o Brasil para a mobilidade aérea urbana e a operação de eVTOLs

Thiago Ventura, colaboração para a CNN Brasil
Compartilhar matéria

São Paulo e Rio de Janeiro se planejam para entrar no mapa global da nova mobilidade aérea urbana. As duas maiores cidades do país devem receber vetiportos — infraestrutura dedicada à operação de aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical, conhecidas como eVTOLs e popularmente chamadas de “carros voadores”.

A iniciativa é resultado de um acordo firmado entre a UrbanV, operadora internacional de redes de vetiportos, e a Pax Aeroportos, concessionária responsável pelos aeroportos de Campo de Marte, na capital paulista, e Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Com isso, esses dois terminais entram na disputa com São José dos Campos (SP) para ter o primeiro vertiporto do Brasil.

Onde serão os vetiportos de SP e RJ?

O projeto prevê o desenvolvimento e a integração de estruturas específicas para a futura operação desses veículos, aproveitando aeroportos urbanos já consolidados e com papel relevante na aviação executiva e de helicópteros. A proposta é posicionar esses terminais como nós estratégicos de uma futura rede de mobilidade aérea avançada (Advanced Air Mobility – AAM), conectando regiões metropolitanas, polos econômicos e aeroportos internacionais.

No caso de São Paulo, o Campo de Marte deve funcionar como um hub central da mobilidade aérea urbana. A expectativa é que o local ofereça capacidade de hangares e suporte técnico para eVTOLs, além de permitir conexões com áreas de alta demanda, como Faria Lima, Alphaville, Campinas, Baixada Santista e os principais aeroportos da Grande São Paulo. A localização e a infraestrutura existente tornam o aeroporto um ponto-chave para testes, integração operacional e futura expansão do sistema.

No Rio de Janeiro, o Aeroporto de Jacarepaguá assume papel semelhante. Situado em uma área estratégica da Zona Oeste, o terminal deve viabilizar conexões futuras com a Zona Sul, Niterói e os aeroportos Santos Dumont e Galeão. Ambos os terminais já concentram operações de aviação executiva e helicópteros, o que facilita a adaptação gradual para a nova modalidade de transporte aéreo urbano.

Há cooperação com a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Esse ambiente controlado permite testar conceitos, procedimentos e requisitos técnicos necessários para a operação segura dos eVTOLs, além de contribuir para a construção do marco regulatório do setor.

Mercado aquecido

O avanço dos vetiportos acompanha o cronograma da indústria aeronáutica. Fabricantes como a Embraer, por meio da Eve Air Mobility, trabalham com a previsão de início das operações comerciais de eVTOLs no Brasil até o fim de 2026. A empresa já acumula cartas de intenção para milhares de aeronaves em escala global, indicando o interesse crescente pelo modelo. E no Salão do Automóvel de 2025, a GAC apresentou um eVTOL que já é vendido na China.

Além de São Paulo e Rio de Janeiro, outros projetos começam a surgir no Brasil. O Aeroporto de São José dos Campos, por exemplo, anunciou em 2024 a implantação de um vertiporto experimental, com obras previstas a partir de 2025 e conclusão até 2027, reforçando a tendência de expansão dessa infraestrutura.

Embora ainda dependa de avanços regulatórios, tecnológicos e operacionais, o mercado dos "carros voadores" está aquecido com novos players  para um novo modelo de mobilidade.

Tópicos