Adriana De Luca
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Adriana De Luca

Paulistana, nascida e criada na Zona Leste. Há mais de 15 anos cobre segurança pública. Explica investigações e crime organizado para além dos fatos

Feminicídios recuam em SP pelo segundo mês seguido; números ainda preocupam

Após alta no início do ano, estado registrou segunda redução consecutiva em junho, mas primeiro semestre ainda acumula mais vítimas do que em 2025

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Os casos de feminicídio voltaram a cair em São Paulo em junho. Um balanço obtido em primeira mão pela CNN Brasil mostra que o estado registrou 17 ocorrências no mês, quatro a menos do que as 21 contabilizadas em junho de 2025.

É o segundo mês consecutivo de queda na comparação anual, após o recuo observado em maio, interrompendo a sequência de altas registrada no primeiro trimestre deste ano.

Apesar da melhora nos indicadores mais recentes, o cenário do primeiro semestre ainda inspira preocupação. Entre janeiro e junho, São Paulo contabilizou 141 feminicídios, contra 128 no mesmo período de 2025. Os dados mostram uma desaceleração do crescimento dos casos — abril ficou estável em relação ao ano passado, seguido por duas quedas consecutivas —, mas ainda não apontam uma reversão da tendência observada no acumulado do ano.

Na capital paulista, o semestre apresentou redução. Foram 24 feminicídios entre janeiro e junho deste ano, ante 31 no mesmo período de 2025. Em junho, porém, houve aumento: três mulheres foram assassinadas por razões de gênero, uma a mais do que no mesmo mês do ano anterior.

Na Região Metropolitana de São Paulo, o número de casos caiu de 27 para 21 no acumulado do semestre. Apenas em junho, a redução foi ainda mais expressiva, passando de oito para três ocorrências.

Alta no interior e preocupação nacional

o interior do estado seguiu na direção oposta. Foram registrados 96 feminicídios no primeiro semestre deste ano, contra 70 no mesmo período de 2025. Em junho, no entanto, o indicador permaneceu estável, com 11 casos.

Embora a queda registrada em São Paulo seja um sinal positivo, o cenário nacional continua preocupante. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 revelou que o Brasil registrou, em 2025, 1.571 vítimas de feminicídio, o maior número da série histórica e um aumento de 4% em relação ao ano anterior. O levantamento também contabilizou 4.189 tentativas de feminicídio, evidenciando que milhares de mulheres sobreviveram a ataques que poderiam ter terminado em morte.

Os números reforçam que a redução dos feminicídios depende não apenas da resposta das forças de segurança, mas da capacidade de interromper o ciclo da violência antes que ele alcance o desfecho mais grave.

Para a coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) no estado, a delegada Cristiane Braga, a denúncia continua sendo uma das principais ferramentas para salvar vidas. “Cada denúncia recebida é uma oportunidade de interromper o ciclo da violência e evitar que situações de risco evoluam para crimes mais graves. Por isso, seguimos ampliando os canais de atendimento e incentivando as vítimas a procurarem ajuda o quanto antes”, afirma.

As autoridades destacam que familiares, vizinhos e testemunhas também podem denunciar episódios de violência doméstica, contribuindo para interromper as agressões antes que elas terminem em feminicídio.

Segundo a comandante-geral da Polícia Militar, coronel Glauce Cavalli, o estado tem ampliado as estratégias de prevenção e proteção às mulheres. “Com ferramentas como a Cabine Lilás, o aplicativo SP Mulher Segura e a Patrulha SP Mulher Segura, conseguimos ampliar o acompanhamento das vítimas e atuar de forma mais próxima para reduzir situações de risco e preservar vidas”, diz.

Prevenção e monitoramento

Neste ano, o governo paulista criou a Patrulha SP Mulher Segura, especializada no acompanhamento preventivo de casos de violência doméstica, e implantou os Espaços Lilás em unidades da Polícia Militar. O aplicativo SP Mulher Segura também recebeu novas funcionalidades, como botão do pânico, registro de ocorrências e cadastro de pessoas de confiança para ampliar a rede de apoio.

Outra medida adotada pelo estado é o monitoramento eletrônico de agressores. Desde setembro de 2023, mais de 900 pessoas já passaram pelo sistema de tornozelamento eletrônico por crimes relacionados à violência doméstica.

Atualmente, 243 agressores permanecem monitorados e 141 foram presos por descumprirem as medidas impostas pela Justiça. A redução registrada nos últimos dois meses é um indicativo de melhora, mas ainda insuficiente para apontar uma mudança definitiva no cenário da violência de gênero.

Enquanto São Paulo apresenta sinais de desaceleração, os dados nacionais mostram que o feminicídio continua em níveis recordes, reforçando a necessidade de fortalecer políticas de prevenção, ampliar a rede de proteção e incentivar as denúncias.