Preso, Milton Leite saía da cadeia para almoçar fora, diz MP
Vídeo registrou saída e retorno do ex-presidente da Câmara de SP, segundo o Ministério Público; carcereiro confirmou a informação aos investigadores, e gravação motivou buscas na unidade prisional

Preso desde setembro, o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) saía da cadeia onde está detido, em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, para almoçar fora e depois retornava à unidade prisional. A informação foi confirmada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) à CNN Brasil nesta sexta-feira (16).
Segundo o órgão, há um vídeo que registra a saída e o retorno de Milton Leite. Além das imagens, um carcereiro confirmou aos investigadores que o ex-parlamentar deixava a unidade para fazer a refeição e depois voltava.
De acordo com o Ministério Público, foi esse vídeo que deu ensejo às buscas realizadas nesta sexta-feira na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes. A CNN Brasil não teve acesso à gravação.
A ação faz parte da Operação Custódia (In)Fiel, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do MPSP. Foram cumpridos três mandados de busca e apreensão: na cadeia pública, no 1º Distrito Policial de Mogi das Cruzes e em um endereço residencial no município.
A investigação apura a suspeita de concessão de tratamento privilegiado a presos provisórios custodiados na unidade. Segundo o Ministério Público, havia indícios de um fluxo frequente de visitantes, muitos deles sem vínculo familiar com os detidos, além de possíveis benefícios incompatíveis com as condições de custódia.
A investigação identificou que Milton Leite recebeu a visita do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, durante o período em que esteve preso na unidade. A visita está entre os episódios analisados pelos investigadores, que apuram possíveis irregularidades na entrada de pessoas na cadeia, inclusive fora dos dias e horários permitidos.
Dinheiro apreendido
Durante a operação, foram apreendidos aproximadamente R$ 155 mil e US$ 10 mil com um carcereiro suspeito de facilitar as supostas regalias. Cerca de R$ 150 mil e US$ 10 mil foram encontrados na residência do agente. Outros R$ 4 mil estavam nos bolsos dele durante as buscas na unidade prisional.
O Ministério Público investiga se houve favorecimento irregular aos presos e eventual participação de agentes públicos. Os fatos podem configurar, em tese, crimes de corrupção ativa e passiva, além de prevaricação.
A investigação segue sob sigilo.
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Prisão de Milton Leite
Milton Leite foi preso no âmbito da Operação Vectura Corrupta, deflagrada em setembro para investigar a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo e no poder público.
A apuração busca desarticular núcleos da organização criminosa e investiga suspeitas de infiltração em empresas de ônibus que operam na capital paulista, além de possível envolvimento da facção no financiamento de campanhas políticas.
A investigação sobre as supostas regalias na cadeia é um desdobramento distinto e busca esclarecer as circunstâncias da custódia do ex-parlamentar e se houve favorecimento irregular durante o período de prisão.
A CNN Brasil tenta contato com as defesas de Milton Leite e Valdemar Costa Neto.


