Américo Martins
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Américo Martins

Especialista em jornalismo internacional e fascinado pelo mundo desde sempre, foi diretor da BBC de Londres e VP de Conteúdo da CNN; já visitou mais de 70 países

Preço do petróleo ultrapassa US$ 100 e atinge o agro

Conflito no Oriente Médio e ataques a instalações petrolíferas elevam preço do barril a US$ 109, gerando temores de queda na produção e choque no abastecimento global

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O preço do petróleo Brent, referência para a precificação global, ultrapassou a marca dos US$ 100, chegando a US$ 109 o barril no último domingo (8). A escalada nos preços ocorre em meio à continuidade do conflito no Oriente Médio e aos ataques contra instalações petrolíferas na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e no Iraque, o que tem aumentado os temores sobre uma possível queda na produção e um choque de abastecimento global da commodity.

Como consequência do conflito, o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz permanece praticamente paralisado, apesar das medidas dos Estados Unidos para garantir a segurança da navegação e tranquilizar os mercados. A situação causou tamanha preocupação nas principais economias mundiais que os ministros das Finanças dos países do G7 realizaram uma reunião de emergência online para discutir estratégias de enfrentamento à crise.

 

Impacto no agronegócio

Além da alta nos combustíveis, o setor agrícola enfrenta outro desafio significativo relacionado à mesma crise: o aumento no preço dos fertilizantes. O Estreito de Ormuz, que permanece com tráfego reduzido, é rota para mais de um terço dos insumos necessários para a fabricação de fertilizantes. Desde o início do conflito, esse fornecimento tem enfrentado bloqueios, pressionando os preços para cima.

A Rússia, outro grande fornecedor de fertilizantes para o mercado global, já informou não ter capacidade para aumentar imediatamente sua produção e compensar a escassez. Essa combinação de fatores tem levado a um cenário de incertezas para o agronegócio, que depende diretamente desses insumos para manter seus níveis de produtividade.

Entre as medidas discutidas pelos países do G7 está a possibilidade de liberar parte das reservas estratégicas de petróleo, especialmente dos Estados Unidos e da União Europeia, para tentar estabilizar os preços no curto prazo. A Agência Internacional de Energia deverá ser convocada para coordenar esse processo, segundo informou a ministra das Finanças do Japão.

A combinação do aumento nos preços do petróleo com a escassez de fertilizantes representa um cenário desafiador para o agronegócio mundial, com potencial para afetar custos de produção, preços de alimentos e toda a cadeia produtiva do setor nos próximos meses.