Análise: Por que Trump voltou seus ataques contra líderes europeus
Presidente americano disse que as autoridades do continente são “fracas” e “não sabem o que fazer”

Os recentes ataques do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra os principais líderes europeus não aconteceram por acaso. Eles fazem parte de uma estratégia com pelo menos três objetivos centrais.
Em primeiro lugar, aumentar a pressão sobre a Ucrânia e seus aliados europeus para aceitarem o acordo de paz com a Rússia, que vem sendo mediado pelos Estados Unidos.
Além disso, ao chamar os líderes europeus de fracos, de forma geral, Trump busca enfraquecer a União Europeia, que é vista como um potencial adversário político e estratégico dos Estados Unidos -- e ainda pior: um bloco progressista, preocupado com muitos aspectos sociais e climáticos, pontos que foram chamados de “politicamente corretos” pelo presidente americano.
Por fim, Trump continua mantendo a pressão para forçar o continente a arcar com a maior parte dos custos e responsabilidades por sua própria defesa.
E o timing da ofensiva retórica do presidente americano também é revelador.
As declarações de Trump foram publicadas nesta terça-feira (9) pelo site Politico logo após uma reunião entre o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky e os líderes do Reino Unido, Keir Starmer; da França, Emmanuel Macron; e da Alemanha, Friedrich Merz.
Durante as conversas em Londres, os líderes europeus discutiram uma proposta alternativa ao plano de paz apresentado por Trump para encerrar a guerra entre Ucrânia e Rússia.
O americano quer acabar a qualquer custo com a guerra e acredita que os europeus queiram apenas adiar o processo, embora a proposta endossada pela Casa Branca seja claramente pró-Kremlin.
A escalada verbal também ocorreu menos de uma semana depois da publicação da nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, um documento que critica duramente a Europa, descreve o continente como próximo de seu “fim como civilização” (por causa da imigração e da ideologia progressista da maior parte do continente) e alerta para riscos à democracia na região.
O documento foi recebido com muitas críticas nas capitais europeias, por ser interpretado como a evidência mais clara de que a Europa deixou de ser prioridade para Washington.
De forma emblemática, a estratégia recebeu elogios da Rússia, país que não foi classificado no texto como rival ou ameaça estratégica aos Estados Unidos.
Em resposta, o chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou que os europeus não precisam dos Estados Unidos para salvar sua democracia.
“Não vejo necessidade de os americanos quererem salvar a democracia na Europa agora. Se fosse necessário salvá-la, nós conseguiríamos fazer isso sozinhos”, disse.
Ao mesmo tempo, Merz foi claríssimo ao afirmar que a Europa precisa “reduzir significativamente sua dependência dos Estados Unidos”.
De fato, esta é a melhor saída para o continente.
E a única forma de deixar de se incomodar com as duras provocações do líder americano.



