Análise: Putin deve insistir na rendição da Ucrânia em encontro com Trump
Kremlin já deu indicações de que vai manter suas exigências para fim da guerra, entre elas o reconhecimento da soberania russa nas regiões ocupadas em território ucraniano e a desmilitarização do país rival
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, deve, ao que tudo indica, insistir numa espécie de rendição da Ucrânia quando se reunir com o presidente americano, Donald Trump, provavelmente na próxima semana.
O Kremlin confirmou nesta quinta-feira (7) a realização da cúpula, mas também deixou claro que manterá suas exigências para encerrar a guerra.
Essas demandas foram formalizadas em um memorando entregue diretamente ao governo ucraniano pelos representantes de Putin que participaram das negociações presenciais com os rivais, em junho, em Istambul, na Turquia.
No documento, o Kremlin apresenta as condições para uma solução definitiva do conflito, entre elas:
- O reconhecimento, por parte do governo da Ucrânia e da comunidade internacional, da “soberania russa” sobre as regiões ucranianas ocupadas: Crimeia, Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e Kherson
- A desmilitarização da Ucrânia
- A garantia de que Kiev nunca ingressará na Otan, a aliança militar ocidental
- E até a exigência de que os ucranianos realizem uma nova eleição presidencial — na esperança de se livrarem rapidamente do presidente Volodymyr Zelensky.
Com a possível exceção das eleições, nenhuma dessas demandas é aceita por Kiev — até porque isso significaria, na prática, uma derrota e uma rendição aos russos.
Putin tentará, no encontro com Trump, convencer o americano de que esse é o caminho mais curto para o fim do conflito na Europa — um dos principais objetivos de Trump no momento.
O líder russo sabe que, se conseguir vender essa ideia ao republicano, a Casa Branca terá meios de pressionar a Ucrânia a ceder. Ou melhor: sem o apoio explícito e direto dos Estados Unidos, seria quase impossível para Kiev manter a resistência no longo prazo.
Tudo isso preocupa profundamente o presidente Zelensky e seu governo.
Não por acaso, o líder ucraniano publicou nas redes sociais a seguinte mensagem, logo após ser informado da cúpula pelo próprio Trump: “O principal é que não nos enganem nos detalhes — nem a nós, nem aos EUA”, indicando claramente sua apreensão com os possíveis desdobramentos da conversa.
Para tentar evitar um acordo às suas custas, Zelensky vem insistindo que precisa participar de qualquer negociação. Quer, além disso, a presença dos principais líderes europeus — os mais firmes e determinados aliados de Kiev.
Afinal, o ucraniano teme que, a sós com Putin, Trump acabe aceitando as exigências russas.



