Análise: Trump renova ataque à Otan e pode mudar equilíbrio global de poder
Presidente se irritou com aliados europeus e ameaçou retirar os Estados Unidos do bloco

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já fez muitas ameaças contra a Otan, a aliança militar ocidental. Tanto neste quanto no primeiro mandato à frente da Casa Branca. Mas sempre acabou voltando atrás.
Porém, desta vez, Trump pode estar falando sério e há várias indicações neste sentido.
Em primeiro lugar, o presidente está usando uma linguagem muito violenta. Ele deu várias entrevistas sugerindo que vai tirar o país da aliança militar ocidental e chegou a dizer que tem “nojo” da Otan.
Além disso, chamou a organização de "tigre de papel" e insistiu que sua decisão não tem mais volta.
Mas como chegamos a esse ponto? Chegamos a isso porque Trump está irritadíssimo com os líderes dos países da Europa, que se recusaram a ajudar os militares americanos na guerra contra o Irã.
Trump simplesmente não esperava essa recusa. Mesmo sabendo que essa guerra foi iniciada por ele e por Israel, sem consulta prévia aos aliados, o presidente norte-americano esperava apoio automático.
Para ele, a aliança funciona como uma via de mão única. Uma plataforma na qual os Estados Unidos lideram, e os outros seguem.
Trump não precisa nem deixar a aliança oficialmente para criar uma grande crise.
Ele pode simplesmente, como já disse que faria, não mais garantir a segurança total da Europa como no passado. Se essa ameaça for concretizada, as consequências vão ser muito profundas.
A Otan é, desde a Segunda Guerra Mundial, o principal pilar de segurança da Europa. Sem o poder militar norte-americano, que tem muitas armas nucleares, inteligência e força global, a aliança simplesmente pode entrar em colapso.
No curto prazo, isso vai afetar diretamente a defesa da Ucrânia, que depende totalmente do apoio ocidental para resistir à Rússia.
Mas os problemas vão além disso.
Países do Leste Europeu, como a Polônia e os Estados Bálticos, passariam a viver sob um risco muito maior de pressão militar do Kremlin.
E, num cenário mais amplo, o enfraquecimento da Otan vai alterar o equilíbrio global de poder.
A Rússia seria, sem dúvida, uma das principais beneficiadas. A China, principal rival de Washington, também ganharia espaço para expandir sua influência, aproveitando a divisão do Ocidente.
Moscou e Pequim estão assistindo a essa crise com todo o interesse. E sem precisar fazer nada para ameaçar de fato a Otan.



