Américo Martins
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Américo Martins

Especialista em jornalismo internacional e fascinado pelo mundo desde sempre, foi diretor da BBC de Londres e VP de Conteúdo da CNN; já visitou mais de 70 países

Ato contra impunidade policial marca 20 anos da morte de Jean Charles

Brasileiro foi morto pela polícia de Londres em 2005 com sete tiros na cabeça, após ser confundido com terroristas que tentaram explodir bombas no metrô da cidade

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Um ato contra a impunidade policial e em memória de Jean Charles de Menezes foi realizado em Londres nesta terça-feira (22), exatamente 20 anos após o brasileiro ter sido executado com sete tiros na cabeça por agentes da polícia britânica.

Dezenas de parentes e amigos da família se reuniram em frente à estação de Stockwell, no sul da cidade, onde há um memorial em homenagem a Jean Charles.

Ele foi morto dentro de um vagão do metrô naquela estação, em 22 de julho de 2005, por policiais armados que o confundiram com um dos suspeitos dos atentados frustrados no sistema de transporte da cidade ocorridos no dia anterior.

Naquele momento, a polícia britânica conduzia grandes operações em busca de possíveis envolvidos em ações terroristas.

Duas semanas antes da morte do brasileiro, em 7 de julho de 2005, extremistas nascidos no Reino Unido detonaram três bombas no metrô e uma em um ônibus no centro de Londres, matando 52 pessoas e ferindo centenas.

Foram os ataques mais letais da história recente da capital britânica.

A operação que resultou na morte de Jean Charles foi marcada por uma sequência de erros.

Policiais faziam campana em um prédio no sul de Londres, à procura de um suspeito de terrorismo. Quando Jean Charles saiu do edifício, os agentes não conseguiram confirmar visualmente sua identidade.

Por ele estar carregando uma mochila, decidiram segui-lo. Jean Charles ainda entrou em dois ônibus, sem ser abordado.

Mais tarde, acessou a estação de metrô e correu em direção ao trem, com pressa para chegar ao trabalho. Os policiais interpretaram que ele havia percebido a perseguição e dispararam assim que chegaram perto dele, já dentro do vagão, sem nenhum aviso.

Nenhum policial envolvido na trágica operação foi punido.

Ao contrário, a responsável geral pela ação, Cressida Dick, acabou sendo promovida diversas vezes, chegando ao cargo de comissária-chefe da Polícia Metropolitana de Londres --o principal posto policial do Reino Unido.

Durante a homenagem desta terça-feira, familiares e amigos também protestaram contra a falta de responsabilização.

Todos vestiam preto, com camisetas pedindo “justiça” e prometendo que Jean Charles jamais será esquecido.

Patricia da Silva Armani, prima do brasileiro, destacou que “ele era um homem completamente inocente. E, no entanto, foi baleado a sangue frio.”

“Nada pode apagar a dor de saber que a vida de um jovem trabalhador, gentil e honesto nos foi tirada por preconceito e incompetência. Até hoje, nenhum policial foi responsabilizado pela morte de Jean. Isso é uma farsa”, afirmou.

Segundo ela, “é inaceitável que agentes do Estado possam agir impunemente. Sem responsabilização, não há justiça.”

Em entrevista à CNN, Patrícia contou ter feito uma promessa logo após a tragédia: todos os dias 22 de julho ela estaria em frente à estação onde o primo foi morto, em homenagem a ele e como símbolo de resistência.