Brics aprova comunicado final, condena guerras e critica sanções a Cuba
Países conseguiram chegar a um consenso mínimo sobre os conflitos no Oriente Médio; Xi Jinping defendeu que o grupo atue pela estabilidade e paz na região
O grupo do Brics conseguiu chegar a um consenso mínimo sobre o conflito no Oriente Médio e aprovou um comunicado final da reunião de cúpula que acontece neste fim de semana em Nova Délhi, na Índia.
O texto condena a imposição de medidas coercitivas unilaterais contrárias ao direito internacional, inclusive na forma de sanções econômicas unilaterais e sanções secundárias, mas sem fazer referências a países específicos.
O documento alerta que essas ações afetam desproporcionalmente a população mais pobre e pessoas em situação de vulnerabilidade, aprofundando a exclusão digital e agravando os desafios ambientais.
A CNN Brasil apurou que essa foi a fórmula encontrada pelos negociadores para acomodar as posições do Irã e dos Emirados Árabes Unidos, países que estão em lados opostos no conflito do Oriente Médio e ameaçavam vetar o comunicado final.
"Expressamos profunda preocupação com a contínua escalada das tensões no Oriente Médio/Ásia Ocidental e, reiterando nossas respectivas posições nacionais, apelamos à máxima contenção, bem como a evitar ações que possam agravar ainda mais a situação", destaca o documento.
Além disso, o bloco pediu a proteção de civis e da infraestrutura civil, além do respeito à soberania e à integridade territorial dos países.
"Incentivamos o reforço dos esforços, por meio do diálogo e da diplomacia, em prol de um entendimento de longo prazo que contribua para a paz, a segurança e a estabilidade duradouras na região", pontua a declaração.
"Ressaltamos a necessidade de trabalhar em conjunto para manter o fluxo regular do comércio global, das cadeias de suprimentos e de energia, em conformidade com o direito internacional aplicável", adiciona.
As negociações sobre o texto avançaram pela madrugada deste sábado (12) e só foram concluídas depois de muita pressão diplomática de alguns países, especialmente dos anfitriões indianos.
A falta de um consenso mínimo para um comunicado final seria interpretada como um fracasso dessa cúpula.
Além das menções genéricas à guerra, o texto também critica as sanções econômicas contra Cuba e o embargo imposto pelo governo dos Estados Unidos para a venda de petróleo para a ilha.
De toda forma, em nenhum momento o documento cita nominalmente Donald Trump ou os EUA.
O Brasil foi um dos países mais ativos nas negociações para incluir a menção à crise cubana, que está se transformando em um grande problema humanitário pela falta de energia que dificulta a vida na ilha.
O texto destaca o "caráter da América Latina e do Caribe como uma zona de paz, fundamentada no respeito mútuo, na solução pacífica de controvérsias e na não intervenção".
"Expressamos profunda preocupação com a situação relativa a Cuba, decorrente do endurecimento das medidas unilaterais de bloqueio contra o país, de seus efeitos adversos sobre a economia cubana e o abastecimento de energia, bem como do preocupante impacto humanitário sobre o povo cubano", adiciona.
Um dos principais discursos iniciais do evento foi o do líder chinês, Xi Jinping, que afirmou aos seus pares que a China pretende trabalhar com os outros países do bloco para ajudar a manter a paz e a estabilidade no Oriente Médio.
O anfitrião, Narendra Modi, defendeu mais uma vez uma reforma do Conselho de Segurança da ONU, afirmando que os grandes países em desenvolvimento, que são hoje responsáveis por grande parte do crescimento econômico do planeta, precisam ter mais voz nas decisões globais.



