Cúpula do G20 aprova forte declaração apesar do boicote de Trump
Líderes do grupo presentes a Joanesburgo aprovaram documento defendendo a transição energética, apoiando o combate às mudanças climáticas e condenando as desigualdades sociais, numa desafio às posições dos EUA

Os líderes do G20 presentes à cúpula do bloco, em Joanesburgo, na África do Sul, ignoraram o boicote do presidente Donald Trump ao evento e aprovaram uma forte declaração defendendo o combate às mudanças climáticas e condenando as disparidades econômicas e sociais no mundo.
O documento final da cúpula foi elaborado sem a participação dos Estados Unidos, já que Trump não só decidiu ignorar o encontro como também determinou que nenhuma autoridade do país fosse à África do Sul.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, presente à cúpula, defendeu a aprovação do texto e defendeu posições similares às da África do Sul e de outros grandes países em desenvolvimento.
O boicote americano foi um movimento inédito, que levantou dúvidas inclusive sobre o futuro do grupo – que toma todas as suas decisões por consenso. Um representante da Casa Branca chegou a dizer que aprovar uma declaração sem a participação americana era “uma vergonha”.
O documento tocou em pontos que desagradam muito o presidente Trump.
O G20 destacou, por exemplo, a gravidade das mudanças climáticas e a necessidade de uma melhor adaptação a elas, apoiando metas ambiciosas para impulsionar a energia renovável.
Segundo representantes da África do Sul, o governo americano havia indicado durante negociações ao longo do ano que vetaria esse tipo de menção no documento.
O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, não mencionou Trump ou os Estados Unidos no seu discurso de abertura do evento, mas fez menções indiretas ao boicote americano.
"Não devemos permitir que nada diminua o valor, a importância e o impacto da primeira presidência africana do G20”, disse ele.
Trump usou como desculpa para não participar do evento alegações infundadas de que o governo de maioria negra do país anfitrião persegue sua minoria branca.
Além disso, o presidente americano vem trabalhando desde que voltou à Casa Branca para minar o multilateralismo e as organizações que o representam, como é o caso concreto do G20.
Depois de um forte trabalho dos sul-africanos com relação às negociações, o G20 criticou também os níveis exorbitantes de serviço da dívida enfrentados pelos países pobres – especialmente na África.
Exploração de minerais críticos
Os anfitriões também conseguiram, pela primeira vez num G20, a aprovação de um documento específico sobre a exploração e beneficiamento de minerais críticos.
O bloco aprovou a ideia de que, em princípio, os países que detêm reservas desses minerais devem ter apoio para beneficiá-los no seu próprio território, um movimento importante para ajudar a economia desses lugares.
A África do Sul recebeu o apoio de vários líderes em seu confronto com Trump – que não foi citado diretamente nos principais discursos da cúpula.
Em seu discurso de abertura no evento, o presidente Lula também não mencionou o líder americano mas criticou o protecionismo e o multilateralismo.
Ele defendeu que o bloco trabalhe para resolver os conflitos no Sudão, na Ucrânia e em Gaza e disse que a desigualdade deveria ser declarada uma emergência global.



