Américo Martins
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Américo Martins

Especialista em jornalismo internacional e fascinado pelo mundo desde sempre, foi diretor da BBC de Londres e VP de Conteúdo da CNN; já visitou mais de 70 países

Entenda o que é a cúpula de IA que acontece na Índia

Evento reúne líderes mundiais e CEOs das grandes empresas de tecnologia do mundo para discutir governança e segurança na aplicação da inteligência artificial

O presidente da Índia, Narendra Modi, de mãos dadas com executivos da IA em abertura de cúpula
O presidente da Índia, Narendra Modi, de mãos dadas com executivos da IA em abertura da AI Impact Summit  • DOORDASHAN via REUTERS
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A Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial é um dos principais fóruns internacionais dedicados a discussões sobre a governança, segurança e aplicação prática da inteligência artificial no mundo.

O encontro está acontecendo esta semana, em Nova Delhi, capital da Índia, e conta com a presença de CEOs das maiores empresas de tecnologia do mundo e vários líderes mundiais, entre eles o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o francês Emmanuel Macron.

Ao contrário de eventos técnicos ou industriais, a Cúpula de Impacto da IA tem um forte caráter político, com muitas discussões sobre a necessidade de uma forte regulação global das ferramentas digitais.

Isso leva, inevitavelmente, a embates ideológicos e comerciais entre líderes que defendem a regulação, como o próprio Lula, e outros que são contra essa ideia.

O governo do presidente Donald Trump, nos Estados Unidos, por exemplo, é completamente alinhado às chamadas big techs, que rejeitam terminantemente qualquer tipo de regulação externa de seus serviços.

Em paralelo à cúpula dos líderes, está acontecendo no mesmo centro de convenções de Nova Delhi uma grande exposição sobre o tema, com centenas de estandes das maiores companhias do mundo tentando promover suas ferramentas de IA.

Quarta cúpula

A reunião na capital da Índia é a quarta edição anual da cúpula, que foi criada como uma série de reuniões intergovernamentais promovidas inicialmente pelo governo do Reino Unido, em 2023.

A intenção inicial já era discutir a criação de regras, princípios e formas de cooperação global em torno da revolução tecnológica promovida pela IA.

Depois do primeiro encontro, em Bletchley Park, na Inglaterra, outras duas cúpulas aconteceram em Seul, em 2024, e em Paris, em 2025.

A reunião deste ano é a primeira realizada num grande país em desenvolvimento, o chamado Sul Global, fato que vem sendo destacado tanto pelo governo da Índia como pela diplomacia brasileira.

A proposta da Índia para a cúpula busca relacionar a inteligência artificial não apenas à inovação tecnológica, mas também a seus efeitos econômicos, sociais e ambientais.

Na prática, isso significa discutir desde o uso da IA em políticas públicas e serviços digitais até seus impactos no mercado de trabalho, na educação, na sustentabilidade e na governança global.

Além disso, a Índia, assim como o Brasil, também espera atrair investimentos para a estrutura digital necessárias para o uso de ferramentas de inteligência artificial.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, chegou a sugerir que a Índia pode promover uma nova etapa da inteligência artificial, centrada nos interesses do Sul Global. Algo como uma IA do Sul.

Os líderes que defendem uma forte regulação da IA e do ambiente digital colocam como suas preocupações centrais a disseminação de desinformação, a manipulação de processos eleitorais, ataques à democracia, a proteção de dados e a necessidade de maior transparência no desenvolvimento de sistemas avançados.

O encontro gere uma declaração conjunta de líderes, além de documentos técnicos, bases de dados e repositórios de boas práticas em políticas públicas voltadas à inteligência artificial.

A ideia é criar referências que possam ser utilizadas especialmente por países em desenvolvimento na construção de seus próprios ecossistemas digitais, reduzindo a dependência tecnológica e ampliando a capacidade regulatória nacional.