Advogados avaliam erros e acertos do primeiro dia de julgamento de denúncia
Defesas dos acusados avaliam que sustentações orais foram determinantes para mostrar “fragilidades” da delação de Mauro Cid

Advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados avaliam que a manifestação deles no primeiro dia de julgamento sobre o recebimento da denúncia no Supremo Tribunal Federal (STF) foi determinante para mostrar “fragilidades” da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid.
Um termômetro disso, na avaliação deles, foram declarações dos próprios ministros que demonstraram o poder limitado da colaboração.
O relator do caso, Alexandre de Moraes, afirmou que a delação não é prova, mas um "meio de obtenção de prova". Já o presidente da turma, Cristiano Zanin, afirmou que na condição de Cid "todo colaborador é um interessado" no resultado do julgamento. Zanin, quando advogado, travou embate com delações da Lava Jato.
Boa parte dos advogados usou os 15 minutos de tempo pré-definido, já a defesa de Cid falou apenas por quatro minutos. Ao transformar a delação em alvo, os advogados também demonstraram que há atrito entre eles. Cid e a defesa foram taxados de mentirosos.
No intervalo da sessão e no fim do dia, advogados e clientes conversaram sobre a performance do primeiro dia de julgamento da denúncia. Na avaliação dos erros e acertos, advogados como os de Bolsonaro, Braga Netto, Almir Garnier e general Heleno trocaram elogios mútuos.
Entre as críticas, a citação a Hamlet feita pelo advogado do ex-comandante do Exército, Paulo Sérgio Nogueira, arrancou risadas.
Para agradecer o tratamento dado às defesas, o advogado se referiu ao clássico de William Shakespeare e citou o trecho que diz "se tratarmos as pessoas como elas merecem, ninguém escapa do chicote".
Ao final, ficou a dúvida sobre quando virá o momento do chicote.



