Basília Rodrigues
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Basília Rodrigues

Apura e explica. Adora Jornalismo e Direito. Vencedora do Troféu Mulher Imprensa e prêmios Especialistas, Na Telinha e profissionais negros mais admirados

Análise: A redenção dos povos da floresta

Tragédia no Rio Grande do Sul reforça a importância a respeito da discussão sobre medidas climáticas

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A tragédia no Rio Grande do Sul não encontra paralelo na história do estado e faz os brasileiros reverem cenas avassaladoras de destruição e, consequentemente, mortes, como as produzidas pelo desmoronamento de barragens em Minas Gerais.

Durante muito tempo, e não raro hoje, a pauta do meio ambiente é escanteada na lista de notícias que interessam ler. Os defensores de medidas climáticas ficaram taxados na história de "mensageiros do apocalipse", "povos da floresta", "chatos".

Uma das maiores personificações disso é a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que está pela segunda vez no cargo. Ex-vereadora, deputada, senadora pelo Acre, o que Marina sempre defendeu, hoje é um dos assuntos mais importantes do mundo: como reduzir e não piorar os efeitos das mudanças climáticas.

De terrorista climática, Marina tornou-se símbolo pop, a ponto de aparecer no cenário dos ensaios do show da diva Madonna, no Rio de Janeiro, ao lado de seu precursor Chico Mendes, também ilustrado no palco.

Ver Marina falando, como na entrevista exclusiva à CNN na última sexta-feira (3), sempre foi certeza de que ela cobra soluções urgentes para evitar algo que parece ser pouco tangível para muitos, faz os mais céticos levantarem dúvidas se de fato irá acontecer. Essa percepção equivocada está, infelizmente, ficando cada vez mais para trás.

"A questão é muito complexa, porque o alerta foi dado há três décadas, há quatro décadas", ressaltou ao lembrar da Eco 92, o grande encontro e acordo internacional que aconteceu, em 1992, no Rio de Janeiro que reuniu diversos países no enfrentamento da mudança climática com o compromisso de adotarem medidas de precaução. “Muitos diziam que aquilo era ecoterrorismo, que aquilo não ia acontecer, e infelizmente está acontecendo”, acrescentou.

Dar visibilidade à pauta do meio ambiente pode ser um caminho, ainda que tardio.

Enquanto existir o negacionismo climático, a total banalização do problema, existirão mil Rio Grandes do Sul em todo mundo.

Todos governos enfrentam crises, é natural da administração pública, mas o que os diferencia é a capacidade de tempo-resposta.

"Se não tivermos tido quatro anos de apagão climático em termos de política poderíamos estar em outra situação com certeza. Todas as políticas foram retomadas em 2023", afirmou em crítica ao governo passado, ao mesmo tempo que reconhece que o problema vem de décadas.

Há quatro anos, o mundo também entrava na pandemia, com a morte de pessoas de muitas nacionalidades, sendo 700 mil brasileiros. Provavelmente, a palavra "negacionismo", voltada para as vacinas, foi uma das palavras mais faladas neste período.

Compreendemos, ao menos a maioria, que negar o óbvio cobra valores caros e também perdas irreparáveis.