Bernardo Pascowitch
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Bernardo Pascowitch

Entusiasta do bitcoin e fundador da fintech Yubb, conta com mais de uma década no ecossistema de tecnologia e inovação no Brasil.

Bolsas em recordes puxam as criptomoedas; otimismo faz sentido?

Após semanas de tensão, investidores voltam às compras mas incertezas colocam o rali em dúvida

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O mercado financeiro tem uma capacidade de antecipar as movimentações globais que impactam os preços dos ativos. Nesse sentido, contra todas as probabilidades e análises técnicas que apontavam para uma retração severa diante das incertezas globais, as bolsas americanas atingiram recordes históricos.

Esse movimento está puxando também o bitcoin e o mercado de criptomoedas para cima. Poucos imaginariam uma recuperação tão forte em “V” em um cenário tão instável.

No entanto, o investidor atento precisa se perguntar: faz realmente sentido haver tanta valorização ou tudo isso pode ser uma armadilha para mais quedas futuras?  

Porém, é importante apontar a velha máxima: o mercado financeiro é soberano. Opiniões, crenças e análises pouco importam diante de sua dinâmica. Por isso, estar posicionado em ativos relevantes continua sendo essencial. Afinal, mesmo sem motivo aparente, um novo rali pode começar.

Hoje, o principal motor dessa euforia é a expectativa de um possível acordo diplomático entre Estados Unidos e Irã. A narrativa que circula nos corredores de Wall Street é de que isso poderia estabilizar o fornecimento de energia para o Ocidente.

O problema é que, até agora, não há nada concreto. Estamos vivendo um momento em que a esperança está vencendo os fatos, e o bitcoin, que é extremamente sensível ao sentimento de risco global e à liquidez, está surfando essa onda de euforia especulativa. 

Contudo, existe um elefante na sala que o mercado prefere não olhar com a devida atenção: o petróleo. Mesmo com a possibilidade de um cessar-fogo ou de um acordo político, é pouco provável que o preço do barril retorne aos níveis anteriores ao conflito. É, sem dúvida, o "gargalo" mais crítico do planeta. 

O chamado "risco Ormuz" agora faz parte do preço base do barril, funcionando como um seguro que os investidores de commodities cobram pela incerteza. E se o petróleo continuar caro, a inflação global dificilmente voltará para as metas estabelecidas pelos bancos centrais.

Ou seja, se a inflação persistir por causa dos custos de energia e logística, o Banco Central norte-americano não terá espaço para cortar os juros, independentemente de quão alto as bolsas subam no curto prazo por causa de boatos diplomáticos.  

Por falar em Fed, essa é a grande desconexão que estamos testemunhando. As bolsas batem recordes como se os juros americanos estivessem prestes a despencar, mas a realidade da inflação sugere o contrário.

Historicamente, altas sustentadas apenas por expectativas não confirmadas costumam ser seguidas por correções proporcionais. Caso o acordo com o Irã não se concretize, o fluxo que entrou por receio de ficar de fora pode sair rapidamente, pressionando bolsas e criptoativos.

O que vemos, portanto, é um descolamento entre os preços dos ativos e a realidade macroeconômica. O bitcoin está sendo beneficiado pela liquidez que ainda circula no sistema e pela busca por ativos que apresentem algum crescimento, mas falta um volume comprador institucional de longo prazo que sustente essa alta de forma perene.

É um movimento ocasionado por especulação e algoritmos de negociação que seguem a tendência das bolsas de Nova York. O investidor institucional dificilmente entra "com tudo" em um cenário onde o fornecimento global de energia pode ser interrompido por um novo atrito diplomático.

Portanto, o alerta para o investidor de ações, bitcoin e criptoativos é de cautela. É preciso filtrar o ruído da política e focar nos fundamentos. O verdadeiro termômetro do mercado é o comportamento do preço do barril de petróleo e, consequentemente, as próximas falas do Fed sobre a trajetória dos juros.

Se o petróleo não ceder e o acordo com o Irã se mostrar apenas uma promessa vazia, a realidade macroeconômica baterá à porta com força. 

Apesar da forte alta atual, podemos estar diante de um respiro temporário, pois as bases dessa recuperação são frágeis e dependem de variáveis que fogem ao controle dos investidores.

O investidor inteligente deve aproveitar o momento de euforia para reavaliar sua exposição ao risco e garantir que sua estratégia não dependa exclusivamente de um cenário de "paz mundial". 

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